BE/Açores teme deslocalização da conserveira Cofaco do Pico, Governo Regional nega

BE/Açores teme deslocalização da conserveira Cofaco do Pico, Governo Regional nega

 

LUSA/AO online   Economia   17 de Mai de 2017, 17:22

A coordenadora do BE/Açores disse hoje temer a deslocalização da conserveira Cofaco da ilha do Pico para São Miguel, mas o Governo Regional assegura que tal não vai acontecer

"A concretizar-se a deslocalização, como desconfiamos que acontecerá, está a falar-se de um gravíssimo atentado à economia das ilhas do ‘Triângulo’ [Faial, Pico e São Jorge ] e ao desenvolvimento harmonioso da região, bem como de um enorme impacto económico e social, sobretudo na ilha do Pico”, declarou Zuraida Soares, em conferência de imprensa, na Horta, ilha do Faial.

Destacando estarem em causa 200 postos de trabalho, a também deputada do BE no parlamento regional considera que face à dimensão da ilha do Pico se pode comparar uma eventual deslocalização à situação que neste momento é vivida na ilha Terceira, na sequência do ‘downsizing’ (redução de efetivos) da base das Lajes.

“Onde é que está o Governo Regional que fez do emprego a sua principal prioridade, que se afirma preocupado com a ‘descoesão’ a que a região tem vindo a ser sujeita ano após ano, que diz que enquanto houver um desempregado nos Açores dormirá com dificuldade?”, questionou Zuraida Soares.

Zuraida Soares afirmou que “notícias recentes dão conta do encerramento para obras da unidade da Cofaco, na Madalena”, e que a “falta de informações oficiais, por parte da administração” da empresa, “gerou intranquilidade e incerteza” entre os trabalhadores.

A parlamentar referiu ainda que, “nos últimos tempos”, as trabalhadoras da fábrica da Madalena “têm assistido à deslocalização de alguns dos processos de produção” da área conserveira para outra unidade situada em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, “limitando e diminuindo” a fábrica do Pico.

“Desde a notícia do encerramento, para obras, que as trabalhadoras assistem ao desmantelamento dos equipamentos, por exemplo, portas de frigoríficos, ventiladores, entre outros, e ao seu embarque via marítima”, continuou Zuraida Soares.

A parlamentar acrescentou que a Cofaco “tem sido, ao longo dos anos, subsidiada por dinheiros públicos, na ordem de vários milhões de euros”, observando que se realizou, recentemente, um investimento na unidade de produção que a fábrica detém em Rabo de Peixe “subsidiado em oito milhões de euros”.

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, referiu que a empresa não declarou que pretende promover uma deslocalização e que vai, sim, submeter a apoios comunitários uma fábrica nova no Pico, no âmbito do seu processo de modernização, por forma a ganhar mais competitividade.

“Não conhecemos em detalhe tudo o que vai acontecer uma vez que estamos à espera que a empresa apresente o seu projeto, mas esta possibilidade [deslocalização] foi-nos garantida que está fora de questão. A Cofaco vai continuar no Pico e a indústria local fará parte da estratégia que a empresa está a levar a cabo”, declarou Gui Menezes.

A Lusa procurou obter um comentário da empresa sobre esta matéria, mas até ao momento sem sucesso.


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