BE/Açores quer debater compensação aos pescadores durante defeso do goraz

BE/Açores quer debater compensação aos pescadores durante defeso do goraz

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   12 de Jan de 2017, 16:40

O Bloco de Esquerda vai pedir "com caráter de urgência" a discussão no parlamento dos Açores de um projeto de resolução que defende a compensação financeira dos pescadores impedidos de pescar durante o período de defeso do goraz.

 

“Se os pescadores são impedidos de pescar por razões que têm a ver com a garantia da sustentabilidade dos nossos ‘stocks’ (…), tem de lhes ser dado um rendimento”, afirmou a deputada Zuraida Soares, após reunir com dirigentes da Cooperativa Porto de Abrigo, em Ponta Delgada.

O Governo Regional, do PS, anunciou a interdição à pesca de goraz entre 15 de janeiro e 28 de fevereiro, um período de defeso da espécie e não uma paragem biológica, pelo que o Fundo Europeu para os Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP) não prevê quaisquer apoios financeiros aos pescadores açorianos.

Para a deputada bloquista, é “inaceitável todas as justificações que têm vindo a ser dadas” pelo executivo açoriano para não compensar financeiramente os pescadores durante o período de defeso do goraz e para não recorrer a fundos comunitários.

“Eles são acionados no continente no defeso da sardinha, pescada e do lagostim exatamente pelas mesmas razões, ou seja, investir na sustentabilidade dos ‘stocks’ destas espécies”, referiu Zuraida Soares, questionando por que razões “os Açores, os seus pescadores e os seus recursos piscícolas” são diferentes.

Na sessão plenária do parlamento regional, na próxima semana, o BE quer ver o assunto novamente debatido.

“Acreditamos que tarde é o que nunca chega e de vez em quando pode haver, enfim, um período de iluminação da tutela, que faça o que tem de fazer em nome da classe piscatória da nossa região, em nome de um setor que está aflitíssimo e a viver uma tragédia social inegável”, destacou.

Zuraida Soares considerou que em causa está “um investimento e não um custo”, pelo que o Governo Regional tem de aceder a esta reivindicação antiga.

Em dezembro também a Cooperativa Porto de Abrigo - Organização de Produtores de Pesca exigiu que a paragem na captura do goraz nos Açores fosse “financeiramente compensada”, destacando, em comunicado, que "a pesca açoriana vive a sua maior crise de sempre", uma vez que, em 2016, registou-se a captura "mais baixa dos últimos 42 anos" para o conjunto das espécies.

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, anunciou hoje que vai reunir na segunda-feira, na ilha do Faial, com representantes de associações de pesca de todas as ilhas e com a Federação das Pescas dos Açores para debater a gestão da quota de goraz para o próximo biénio.

Os Açores dispõem de uma quota total anual para esta espécie de 507 toneladas, sendo uma das que tem mais alto valor comercial, o que permite aumentar os rendimentos dos pescadores.


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