BE/Açores exige "mudança de políticas" na Agricultura

BE/Açores exige "mudança de políticas" na Agricultura

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Jun de 2016, 18:21

A deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Legislativa dos Açores, Zuraida Soares, defendeu hoje a necessidade de uma "mudança de políticas" ao nível da agropecuária que permita ultrapassar a crise que o setor atravessa no arquipélago.

 

"Para os nossos agricultores terem maiores rendimentos e para que o setor agropecuário possa ter mais e maior pujança é urgente, para o BE, mudar de política, mudar o direcionamento dos apoios, da quantidade para a qualidade, para a diferenciação, para a especialização", disse a deputada, numa interpelação ao Governo Regional, no plenário da Assembleia Regional, na cidade da Horta.

A parlamentar do BE reconhece que nem todas as políticas adotadas pelo Governo Regional foram más, mas lamentou que o executivo socialista se tenha esquecido de que "as quotas leiteiras iam terminar" e, como tal, não acautelou o setor para a liberalização dos mercados.

O secretário regional da Agricultura e Florestas, Neto Viveiros, admitiu que o setor agrícola na região está a atravessar um ciclo de "baixa de preço do leite", mas está convencido de que este período será ultrapassado e que o setor voltará a ser "robusto e mais forte".

"O futuro dos Açores passará certamente pela produção leiteira, disso não tenho quaisquer dúvidas. Teremos de nos ajustar à situação atual, obviamente que sim", explicou o governante, acrescentando que o "período de dificuldade" que o setor atravessa "deve ser encarado como um período desafiante".

O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, fez questão de participar no debate parlamentar, para recordar que os Açores "não têm um problema de produção", mas um problema de escoamento dos produtos lácteos, devido a vários fatores externos.

O chefe do executivo açoriano lamentou que a União Europeia não tenha encaminhado ajudas para o escoamento dos produtos, em vez de tentar reduzir a produção, e notou que os governos regional e nacional têm direcionado os seus apoios aos produtores.

"Ainda hoje são publicadas duas linhas de crédito que se estendem a todo o território nacional. É uma ajuda e como essas há outras medidas que já foram postas em prática pelo Governo dos Açores", recordou Vasco Cordeiro.

Por outro lado, o governante acusou o PSD/Açores de tentar "enganar as pessoas" ao afirmar que a solução para a crise no setor do leite nos Açores passa pela criação de um Centro do Leite e dos Laticínios, que já existe atualmente.

O líder do PSD/Açores e deputado na Assembleia Regional Duarte Freitas contrapôs que a proposta de criação daquele centro foi apenas uma das muitas propostas apresentadas pelo seu partido, mas chumbadas pela maioria socialista no arquipélago.

"Nos últimos anos, o PSD/Açores apresentou 43 propostas relativas à agricultura e, em concreto, ao setor do leite. Dessas 43 propostas, 33 foram chumbadas pelo PS", destacou o parlamentar social-democrata.

O dirigente laranja referiu também que, caso o PSD vença as eleições legislativas regionais deste ano, irá criar um programa de investigação e desenvolvimento" de novos produtos lácteos, de modo a "valorizar o excelente leite" produzido na região.

Já Graça Silveira, do CDS, entende que a solução para o setor passa por incentivar a produção de qualidade em vez de o Governo apoiar todos os produtores de forma idêntica.

"Como é que este governo dá sinais aos seus produtores, quando as ajudas à produção são exatamente as mesmas a um produtor que entrega um litro de leite de excelente qualidade e um produtor que entrega um litro de leite que nem sequer consegue cumprir os critérios mínimos de higiene e segurança?", questionou a parlamentar centrista.

Para Aníbal Pires, do PCP, a responsabilidade pela situação em que o setor agropecuário na região está mergulhado é dos três maiores partidos (PS, PSD e CDS), pelos atos e omissões na região e no país.

O parlamentar comunista defende, por isso, a reposição das quotas leiteiras, o fim do embargo à Rússia, a rejeição de subsídios à redução da atividade e a procura de novos mercados.


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