BE/Açores denuncia condições de trabalho "indignas" nos CTT mas empresa desmente

BE/Açores denuncia condições de trabalho "indignas" nos CTT mas empresa desmente

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Dez de 2016, 15:36

O deputado do BE/Açores Paulo Mendes denunciou hoje que os trabalhadores dos CTT "são sujeitos a condições de trabalho indignas" na ilha de São Miguel, o que a empresa nega, afirmando "cumprir escrupulosamente" o Acordo de Empresa.

 

O parlamentar, num requerimento enviado à mesa do parlamento regional, apontou que, com base na denúncia que recebeu, existem nos Correios de Portugal horários de 10 a 12 horas por dia na distribuição e que os carteiros estão a “trabalhar, sob pressão extrema e ameaça”, aos sábados e domingos, “muitas vezes, mais de oito horas”.

Paulo Mendes, que pretende cópia dos relatórios das ações inspetivas realizadas aos serviços dos CTT, nos concelhos de Ponta Delgada e Ribeira Grande, relativos aos últimos três anos, referiu que existem locais de trabalho “sem o mínimo de condições de higiene e segurança”.

“Em Ponta Delgada, trabalham, numa cave, cerca de sete ou oito funcionários, em regime de permanência, e cerca de 50 carteiros, em serviço no exterior, sem luz e sem janelas”, afirmou.

O parlamentar referiu que os trabalhadores “chegaram a trabalhar em instalações com necessidade urgente de obras, entretanto realizadas, ao que parece, por força de ação inspetiva da Inspeção Regional do Trabalho, mas da qual se desconhecem os seus resultados”.

“Situações semelhantes relativas à falta de condições de trabalho são também relatadas na Ribeira Grande. E na loja de Rabo de Peixe faltam condições de segurança, o que motivou a apresentação de queixas na PSP e na Inspeção Regional do Trabalho”, disse.

Paulo Mendes apontou ainda no requerimento o “abuso da contratação a termo e baixos salários”, tendo acrescentado que estes serviços dos CTT “têm sido objeto de recorrentes reclamações, uma vez que a correspondência, que deveria ser entregue diariamente, é entregue com atrasos de vários dias”.

O gabinete de comunicação, numa nota enviada à Lusa, afirmou que os CTT "cumprem escrupulosamente o Acordo de Empresa", que inclui o horário máximo de 39 horas semanais, com a "flexibilidade necessária para garantir que o correio chega à população, mesmo quando ocorrem picos de volume provocados pelas flutuações do tráfego aéreo", assegurando-se também o "devido pagamento de todo o trabalho suplementar quando é necessário".

Segundo os CTT, a localização do Centro de Distribuição Postal (CDP) na cave do edifício onde a empresa desenvolve a sua atividade em Ponta Delgada "não demonstrou qualquer situação crítica" para correção na última auditoria de Higiene Trabalho e Segurança.

"O mesmo se passa com o CDP da Ribeira Grande. Quanto à segurança da loja Rabo de Peixe, ela é fundada em razões externas aos CTT, que no entanto solicitaram apoio de policiamento, que está em aplicação. Todas as nossas instalações açorianas estão equipadas com sistemas anti-intrusão”, referiu a empresa na mesma nota.

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