Durão Barroso diz que reconhecimento significa que decisão de deixar Governo "foi correta"

Durão Barroso diz que reconhecimento significa que decisão de deixar Governo "foi correta"

 

Lusa/AO online   Nacional   3 de Nov de 2014, 14:19

O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso afirmou que "o reconhecimento" de Portugal, através da condecoração entregue pelo Presidente da República, significa que "foi correta a decisão" que tomou de deixar o Governo em 2004.

 

"Nenhuma distinção podia dar-me maior satisfação do que esta que o senhor Presidente da República acaba de me atribuir - por via de vossa excelência, como Presidente da República, o máximo representante de Portugal -, por significar para mim o reconhecimento do meu país, por significar para mim também que foi correta a decisão que tive de tomar em 2004", afirmou Durão Barroso sobre a saída do governo de que era primeiro-ministro.

Na intervenção após receber de Cavaco Silva o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, Barroso afirmou que, enquanto presidente da Comissão, executou também "um programa português" e defendeu a necessidade de se combater "algum soberanismo" patente em setores da opinião pública portuguesa.

"Esteve sempre em mim ao longo destes dez anos a convicção de que estava também a executar um programa português, porque não vejo, aliás, contradição entre aquilo que é o interesse português e o interesse geral europeu", afirmou, na cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa.

Barroso sublinhou que "ser-se presidente da Comissão é uma função que temporariamente se exerce, ser-se português é uma condição que existencialmente permanece".

"Foi por isso com muita honra que sempre procurei - como vossa excelência quis agora reconhecer e agradeço-lhe muito por isso, senhor Presidente da República - defender o interesse de Portugal, que não via nele contradição na defesa do interesse europeu", disse.

Esse duplo papel, afirmou, ficou patente "na defesa da coesão, na defesa de maior ambição em termos de solidariedade, por exemplo, no que diz respeito aos programas estruturais, de fundos estruturais 2007 - 2014 e 2014 - 2020, na defesa de condições mais solidárias na aplicação de programas de ajustamento, programas que pudessem garantir que os países como o nosso país viessem a sair desse programa sem precisar de mais condições".

Durão Barroso disse ainda ter procurado ter uma "visão da lusofonia", dando-lhe "maior relevância no plano internacional".

O antigo primeiro-ministro português recordou o que considerou terem sido "10 anos de desafios excecionais para a União Europeia", com a crise das dívidas soberanas e o alargamento de 15 para 29 estados membros.

Barroso sublinhou a "legislação para o setor financeiro" aprovada no seu mandato, que considerou das mais completas do mundo.

Tal como Cavaco Silva também tinha dito na sua intervenção, o ex-presidente da Comissão defendeu que "não se pode pedir à Europa que resolva todos os problemas que competem crucialmente aos governos dos estados membros".

Durão Barroso disse esperar que os governos nacionais e a União Europeia "possam prestar atenção à questão essencial do investimento", tanto privado como público, que disse a Europa precisar "para responder ao problema do desemprego".

O antigo chefe de governo português argumentou também pela necessidade de "combater o retorno de algum soberanismo", patente em setores da opinião pública nacional.

"Não é impunemente que se vive 48 anos num regime autoritário e com reflexos nacionalistas. Nesta opção pelas ideias eurocéticas e nacionalistas, seria bom que Portugal não se deixasse contaminar", sustentou.

Barroso argumentou que "Portugal foi grande quando se vivou para fora e não para dentro", "não quando afirmou o ´orgulhosamente sós', mas quando afirmou o ´orgulhosamente europeus'".

Além do primeiro-ministro, estiveram presentes na cerimónia, entre outros, os ministros do CDS Pires de Lima (Economia), Assunção Cristas (Agricultura) e Mota Soares (Solidariedade, Emprego e Segurança Social), o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, e a antiga ministra das Finanças de Durão Barroso Manuela Ferreira Leite.


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