Ambiente

Banco de sementes protege espécies endémicas dos Açores

Banco de sementes protege espécies endémicas dos Açores

 

Lusa/AO online   Regional   1 de Nov de 2012, 13:48

A preservação das plantas endémicas dos Açores, que representam menos de 10 por cento do total das espécies que existem no arquipélago, é o objetivo do banco de sementes criado no Jardim Botânico do Faial, na Horta.

Os especialistas estimam que existam cerca de um milhar de espécies de plantas nos Açores, mas apenas 75 são exclusivas da região e algumas estão em risco de desaparecer. Para garantir a preservação das espécies endémicas, o Jardim Botânico do Faial criou em 2003 um banco de sementes, uma espécie de laboratório que permite conservar as sementes durante um longo período de tempo. As sementes, segundo revelou João Melo, diretor do Parque Natural da Ilha do Faial, em declarações à Lusa, são recolhidas por técnicos especializados, limpas e depois colocadas num ambiente sem humidade e a uma temperatura de 15 graus negativos. “Nestas condições, existe a garantia de que as sementes serão conservadas durante cerca de 100 anos”, afirmou João Melo, alertando, no entanto, que “nem todas as espécies podem ser conservadas em banco”. Para se certificarem que o processo corre como o previsto, os técnicos retiram regularmente algumas das sementes armazenadas para avaliar se reúnem condições para germinarem. O banco de sementes do Jardim Botânico do Faial dispõe atualmente de 41 espécies de plantas endémicas, o que corresponde a cerca de 56 por cento do total. A época de colheita das sementes, preparada com ações de formação, decorre entre junho e novembro nas nove ilhas do arquipélago. Apesar do sucesso registado no último ano, em que foi possível “aumentar em 82 por cento os lotes de sementes de plantas endémicas”, João Melo salientou que o trabalho está longe de estar concluído, frisando que o objetivo é recolher e conservar 75 por cento das espécies endémicas dos Açores até ao final de 2014. Desde o povoamento do arquipélago, que terá começado por volta de 1430, a flora açoriana tem sido substancialmente alterada, nomeadamente pela introdução de novas espécies pelo homem, surgindo o banco de sementes como um método com elevada taxa de sucesso para preservar espécies, garantindo a conservação da variabilidade genética das populações ameaçadas. A conservação das sementes num banco permite que sejam protegidas de ameaças como incêndios, desflorestações, flora invasora ou alterações climáticas, assegurando a sobrevivência das espécies. O Jardim Botânico do Faial, o maior do género nos Açores, não se dedica apenas à conservação de plantas endémicas, possuindo uma coleção viva com duas centenas de espécies, desde plantas endémicas a invasoras, além de ornamentais, exóticas, medicinais e aromáticas. Este jardim, que está dividido entre uma zona principal na freguesia dos Flamengos e uma zona de mato natural na freguesia de Pedro Miguel, é uma das principais atrações turísticas do Faial, tendo já sido visitado por mais de 100 mil pessoas.


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