Balança comercial com a Coreia do Sul é negativa para Portugal desde 2009

Balança comercial com a Coreia do Sul é negativa para Portugal desde 2009

 

Lusa / AO online   Economia   19 de Jul de 2014, 12:07

A balança comercial entre Portugal e a Coreia do Sul é favorável ao país asiático pelo menos nos últimos cinco anos, tendo fechado o ano passado com um saldo negativo para Portugal na ordem dos 142 milhões de euros.

 

De acordo com os dados da Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Externo, apesar de a balança comercial ter sido sempre negativa desde 2008, devido essencialmente aos produtos tecnológicos que Portugal importa, as exportações nacionais mais do que duplicaram, tendo passado de 38 milhões em 2009 para 87,1 milhões no ano passado, e o número de empresas portuguesas que exportam para a Coreia do Sul também subiu, de 304, em 2008, para 395, em 2012.

As exportações portuguesas para este país asiático têm estado sempre a subir desde 2009, ao contrário das importações, que têm sofrido variações, entre os 278 milhões de euros em 2009 e os 229 milhões de euros no ano passado, uma recuperação após uma quebra para os 173 milhões de euros em 2012.

Nos últimos cinco anos, a Coreia do Sul subiu na lista de clientes de Portugal, da 49.ª para a 45.ª posição e desceu do 25.º para o 32.º lugar como fornecedor.

Os principais produtos exportados para Seul são pneus, aparelhos recetores para radiotelefonia, radiotelegrafia e radiodifusão e aparelhos para interrupção, seccionamento e proteção.

Os bens sul-coreanos que mais chegam a Portugal são polímeros de etileno, automóveis de passageiros e aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia.

A Coreia do Sul foi visitada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, em abril deste ano, numa visita que incluiu a Airfree Products, AltaPontuação, Casa Ermelinda Freitas, Enoforum, Esporão, Investwood, José Maria da Fonseca, Portic, Samsung Portugal, Scalivete, Sovena, Sugadilal, Tice.pt e WeDo Technologies.

"Do ponto de vista económico, há oportunidades muito importantes em termos de comércio e de investimento. Do ponto de vista político, também há oportunidades importantes de uma concertação de ações na Ásia", disse MNE português, no final do primeiro dia de visita oficial à Coreia do Sul, a 9 de abril, destacando que os 50 milhões de coreanos têm um poder de compra comparável ao dos espanhóis.

O país cresceu 3% no ano passado e deverá acelerar para 3,8% este ano, registando uma inflação de 2,3%.

A subida do Produto Interno Bruto em 3% traduz o maior crescimento desde 2011 e corresponde ao aumento da despesa dos consumidores e à subida das exportações, o motor económico nacional.

Fundada em 1948, a República da Coreia viveu quatro décadas de ditaduras violentas e as sequelas da Guerra da Coreia (1950-53), que deixaram tecnicamente o país, e até aos dias de hoje, em guerra com o Norte: uma dinastia comunista, pobre e com ambições nucleares.

As irregularidades nas eleições presidenciais só terminaram em 1987, com a realização das primeiras eleições diretas e justas e a introdução do multipartidarismo, num país dominado por famílias proprietárias de grandes empresas industriais, motores do desenvolvimento económico sul-coreano, como a Hyundai e a Samsung.

A política de aproximação entre as duas Coreias, desenvolvida a partir do final da década de 1990, terminou em 2008 devido à inexistência de qualquer progresso no dossier nuclear, e as tensões aumentaram com os testes recorrentes de mísseis do Norte e constantes ameaças norte-coreanas.

Os Estados Unidos têm dezenas de milhares de soldados na Coreia do Sul e controlo operacional das tropas sul-coreanas em caso de Guerra. Seul devia recuperar o controlo em 2015, mas parece estar disposto a negociar uma extensão.


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