Baixa natalidade combate-se com acesso gratuito ao pré-primário e facilidades laborais

Baixa natalidade combate-se com acesso gratuito ao pré-primário e facilidades laborais

 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Nov de 2012, 11:03

O acesso gratuito ao ensino pré-primário e facilidades laborais para a maternidade são duas medidas políticas que combateriam a baixa taxa de natalidade em Portugal, defendeu esta segunda-feira a diretora do serviço de Pediatria da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.

Entrevistada no âmbito do III Congresso Internacional da União das Sociedades Europeias da Neonatologia e Perinatologia, que arranca na quarta-feira, no Porto, a médica Teresa Tomé observou que os “fatores socioeconómicos estão a ser preponderantes” para a baixa taxa de natalidade, mas também “a nova realidade demográfica de acesso mais tardio da mulher ao mercado de trabalho”.

As “medidas políticas têm de passar por acesso gratuito ao ensino pré-primário e facilidades laborais para a maternidade”, argumentou a neonatologista da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).

A atual chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do Porto e ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Neonatologia, Hercília Guimarães, classifica a baixa taxa de natalidade portuguesa como “uma descida vertiginosa”.

“É uma descida vertiginosa. Em média, nascem em Portugal cerca de 100 mil bebés por ano e atualmente estão a nascer 90 mil”, declarou, acrescentando que ”não há história de uma natalidade tão baixa” no país e que é “preocupante para a renovação” das gerações.

Ressuscitação neonatal, redes neonatais, nutrição, monitorização do cérebro, suporte respiratório invasivo, ventilação e doenças respiratórias, infeção neonatal, qualidade nas unidades de cuidados intensivos ou as controvérsias na medicina neonatal são alguns dos tópicos que vão ser abordados no congresso, que reúne 23 Sociedades Europeias da Neonatologia e Perinatalogia.

"O nosso sonho é conseguir fazer uma gestão comum entre mãe e recém-nascido, que permita aperfeiçoar os direitos e melhorar os cuidados independentemente do país onde vivam", disse o presidente da União Europeia das Sociedades Europeias de Neonatologia e Perinatologia, Giuseppe Buonocore, adiantando que o objetivo é "melhorar" o conhecimento dos indicadores da perinatalidade e desenvolver recomendações e guias de trabalho.

O congresso vai decorrer na Alfândega do Porto e termina no sábado, com a celebração do Dia Mundial da Prematuridade, onde também se abordará a temática de existirem cada vez mais bebés prematuros a nascer em Portugal.

Em Portugal nascem, por ano, cerca de 1.000 bebés prematuros (menos de 32 semanas) e nos últimos anos registou-se um aumento entre 20 a 30 %, adiantou à Lusa Hercília Guimarães, também membro da Fundação Europeia para os Cuidados do Recém-Nascido.

O Dia Mundial da Prematuridade vai ser assinalado com intervenções do presidente executivo da Fundação Europeia para os Cuidados do Recém-Nascido, Silke Mader, Hercília Guimarães, o bispo do Porto, Manuel Clemente, o pediatra e autarca Luís Filipe Menezes e a psicóloga Sara Almeida.


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