Baixa de décimas no desemprego nos Açores "não tranquiliza" Bloco de Esquerda


 

Lusa/AO online   Regional   6 de Fev de 2015, 19:02

A coordenadora do BE/Açoresconsiderou que a baixa de umas décimas do desemprego na região "não tranquiliza", uma vez que continuam no limiar do desemprego e da pobreza milhares de pessoas.

"Esta baixa do desemprego de algumas décimas não nos tranquiliza nada porque sabemos que continuam no desemprego e no limiar da pobreza milhares de pessoas e de famílias na nossa região", declarou Lúcia Arruda.

De acordo com os dados revelados na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego nos Açores no último trimestre de 2014 foi de 15,5 por cento.

Este valor é mais alto do que o da média nacional de 13,5% e o mais elevado do país, mas inferior ao registado nos Açores nos três meses anteriores (15,7%) e no mesmo período de 2013 (17,3%).

No conjunto do ano de 2014, os Açores tiveram uma taxa de desemprego de 16,3%, também abaixo do número de 2013 (17%).

A dirigente do BE nos Açores, que deu início, em Ponta Delgada, a um périplo por várias instituições de solidariedade social, reiterou a necessidade de serem criados mecanismos que minimizem as dificuldades das pessoas, a começar pela aplicação pelo Rendimento Social de Inserção (RSI).

Lúcia Arruda afirmou que milhares de pessoas perderam o RSI pelos cortes da República, mas defendeu que o executivo açoriano "deverá olhar por estas pessoas", até porque a maior parte são idosos, crianças e aqueles que beneficiam de complementos a salários e pensões que o BE considera extremamente baixos.

"É preciso que o Governo Regional não se deixe apoiar na sociedade civil e que a resposta parta desta. Se proliferam cantinas sociais é porque a resposta da solidariedade social não está a funcionar", considerou.

A dirigente do Bloco referiu que a denominada pobreza envergonhada "cada vez é menos envergonhada porque as pessoas tem de dar que comer às suas famílias", frisando que o "número de desempregados não escolhe casa".

Mais de metade dos desempregados nos Açores não estão a receber qualquer tipo de apoio e 10% das pessoas sem trabalho têm mais de 55 anos, sublinhou Lúcia Arruda.

Perspetivando o Programa Operacional dos Açores (POE) 2020, que operacionaliza fundos europeus, a coordenadora do BE/Açores apontou para a necessidade de serem apoiados projetos reprodutivos em termos de emprego e abandonar iniciativas de milhões do passado que não geraram riqueza.

Lúcia Arruda considerou ainda que já lá vão três anos desde a criação por parte do Governo Regional de uma agenda de 60 medidas que visavam a criação de emprego e competitividade sem que se veja "grande resultado".


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