Autonomia económica das mulheres é o principal desafio de hoje


 

Lusa/AO On line   Nacional   7 de Mar de 2010, 07:24

Há uma "sobrefeminização" do desemprego e uma em cada quatro mulheres estão em situação de precariedade laboral. Fazer tudo para garantir a sua "autonomia económica" é uma das prioridades da nova presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).

Sara Falcão Casaca disse à agência Lusa, na sua primeira entrevista desde que tomou posse, há quase um mês, que no "contexto difícil em que vivemos, de recessão económica", é "absolutamente fundamental" garantir, "tanto quanto for possível", o emprego das mulheres e apoiar o empreendedorismo feminino.

"As mulheres estão severamente atingidas e penalizadas porque historicamente são o elo mais vulnerável do ponto de vista económico e social", referiu, defendendo o "apoio à criação de autoemprego e até à criação de emprego por conta de outrem".

Com um percurso académico na área da economia, gestão e sociologia do trabalho e da empresa, Sara Falcão Casaca salienta que é preciso continuar a promover a conciliação entre vida pessoal, familiar e profissional, nomeadamente junto dos empregadores, "seja do setor privado, seja no domínio público, administração central e local".

As portuguesas têm uma taxa de emprego muito elevada no contexto europeu e as mães trabalham dez pontos percentuais acima da média na União Europeia. Portanto, é preciso convencer os empregadores a "valorizar equitativamente a maternidade e a paternidade".

Reconhecendo que existe "uma clara subrepresentação" das mulheres nos cargos de decisão económica, prefere não se pronunciar, enquanto presidente da CIG, sobre o timing certo para avançar com quotas neste setor, mas realça que a questão "merece atenção".

Entretanto, é preciso "desmontar estereótipos", diz a também professora no Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa, recordando os gestores de topo que conheceu ao longo da vida académica e que reconheciam nunca ter perguntado a uma mulher se estava disponível para determinado cargo apenas porque partiam do pressuposto de que não aceitaria por ter "responsabilidades familiares".

É necessário, por isso, sensibilizar os agentes económicos, que "só têm a ganhar" com "mulheres nos lugares de decisão", destaca, na véspera do centésimo Dia Internacional da Mulher, que se assinala segunda feira.

Ao seu lado, Manuel Albano, vice-presidente da CIG, enalteceu "o ganho qualitativo" que resulta da criação de uma Secretaria de Estado da Igualdade nesta legislatura - presidida por Elza Pais, anteriormente à frente da CIG.

Já com uns anos de casa, Manuel Albano explicou que a CIG será o "braço armado" da Secretaria de Estado e que ambos os organismos "têm planos diferentes de intervenção, uma tem a gestão política e outra a gestão operacional", embora funcionem "em estreita articulação".

Sobre a eventual fusão entre a CIG e a CITE (Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego), Manuel Albano refere que "têm campos de intervenção legalmente diferenciados": a CITE está muito vocacionada para o Código do Trabalho e a não discriminação no mercado laboral, enquanto a CIG olha para "a igualdade de género na sua grande amplitude".

"Fusão ou não fusão é uma decisão política e de estratégia", acrescentou, garantindo que "a sobreposição não existe, existe uma complementaridade na ação e uma estreita relação de trabalho".


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