Autarca da Praia da Vitória quer utilização conjunta de porto discutida na bilateral

 Autarca da Praia da Vitória quer utilização conjunta de porto discutida na bilateral

 

Lusa/AO Online   Regional   11 de Jul de 2017, 07:51

O autarca da Praia da Vitória, nos Açores, defendeu hoje que a utilização do molhe norte do porto da cidade como cais de passageiros deve ser discutida no âmbito da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos.

"Compete ao Governo Regional dos Açores dar os passos decisivos relativamente à concretização deste projeto e os passos decisivos são, não só ter o entendimento definitivo com o Governo da República, mas também colocar esta matéria na próxima comissão bilateral", salientou Roberto Monteiro, numa conferência de imprensa de apresentação de um estudo de viabilidade do projeto.

O molhe norte do Porto da Praia da Vitória é utilizado atualmente pela Força Aérea norte-americana, no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), mas a autarquia defende há vários anos uma utilização conjunta civil e militar, alegando que a infraestrutura é pouco utilizada e pode ser rentabilizada.

Roberto Monteiro disse que apesar de ainda não existir um acordo por escrito, já reuniu com autoridades portuguesas e norte-americanas e encontrou um "espírito positivo" relativamente a esta matéria.

"A parte americana dizia que não tinha nada a obstar e a parte portuguesa dizia exatamente o mesmo", salientou, acrescentando que quem quiser travar este processo terá de o assumir.

Para o autarca, a utilização conjunta da infraestrutura é possível, "desde que exista vontade das partes interessadas", sobretudo tendo em conta que atualmente o petroleiro da Força Aérea norte-americana utiliza aquele porto "um a dois dias por ano".

"Eu entendo que isto tem todas as pernas para andar, que vai ter que andar e que vai andar mesmo num curto espaço de tempo", frisou.

Para Roberto Monteiro, esta é a medida com maior impacto no Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, apresentado pelo Governo Regional, na sequência da redução militar norte-americana na base das Lajes, localizada no concelho da Praia da Vitória.

"A ilha precisa de uma economia revitalizada e precisa efetivamente de criar um novo modelo económico independente de vertentes militares. Nós já percebemos quanto é que custa colocar os ovos todos no cesto das infraestruturas militares e sentimos isso de forma dura", sublinhou.

Um estudo de viabilidade realizado pela empresa Consulmar aponta duas hipóteses de utilização conjunta, uma que passa pelo aproveitamento do cais existente, com um custo estimado entre 10 a 15 milhões de euros, e outra que passa pela sua construção de raiz, que poderá custar entre 15 a 20 milhões de euros.

No entanto, segundo Roberto Monteiro, a obra poderá representar um investimento direto da autarquia de 1,5 a 2 milhões de euros, tendo em conta que o projeto pode ser cofinanciado a 85% por fundos comunitários afetos ao município e ao Governo Regional.

Apesar de ter existido no passado um projeto para Angra do Heroísmo, a ilha Terceira não tem ainda um cais de cruzeiros, ao contrário das ilhas de São Miguel e do Faial.

O projeto da autarquia da Praia da Vitória permite que possam operar em simultâneo no molhe norte navios de cruzeiros, 'ferries' e os navios que fazem o transporte de passageiros interilhas, que atualmente operam no porto comercial.

Para o autarca da Praia da Vitória, com a decisão do Governo Regional de lançar um concurso público internacional para concessão da exploração e da operação do porto comercial torna-se prioritário separar o transporte de passageiros e mercadorias.

"Misturar no mesmo porto áreas logísticas e operacionais de mercadorias com passageiros traz constrangimentos sérios a quem queira otimizar a gestão de um porto, portanto este problema tem de ser resolvido", defendeu.

 

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