Austrália diz que alterações climáticas estão fora da agenda

Austrália diz que alterações climáticas estão fora da agenda

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Nov de 2014, 11:35

O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, afirmou que o emprego e o crescimento económico, "e não o que poderá acontecer daqui a 16 anos", é que estarão no topo da agenda dos países do G20.

 

A declaração do primeiro-ministro australiano surge em sentido oposto ao que os altos responsáveis do Governo norte-americano têm dito nos últimos dias, e já mereceu do líder da oposição local a crítica de que a Austrália está num "isolacionaismo teimoso", caminhando "ao contrário dos outros países".

De acordo com o jornal australiano Sidney Morning Herald, "numa declaração extraordinária, Abbott, que no mês passado disse que 'o carvão é bom para a humanidade' e que iria permanecer 'uma parte essencial do nosso futuro económico' na Austrália e no resto do mundo, argumentou que 'para a Austrália, eu estou focado não no que poderá acontecer daqui a 16 anos, mas sim no que estamos a fazer agora, e não estamos a falar, estamos a agir".

As citações do primeiro-ministro australiano contrariam aquilo que o Governo norte-americano, a maior economia do mundo, tem dito relativamente às alterações climáticas que devem ser discutidas na cimeira do G20, e surge poucos dias depois de um importante acordo entre os EUA e a China, a segunda maior economia mundial, para reduzir as emissões entre 26 a 28% em 2025 face aos níveis de 2005, no caso dos EUA, e para limitar as emissões de carbono até 2030, no caso da China.

"Vai haver um foco nos assuntos económicos e estamos em coordenação com a economia global. O clima, na nossa perspetiva, faz parte disso", disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

Num discurso citado pelo jornal australiano, o líder da oposição Bill Shorten previu que o "isolacionismo teimoso" do Governo na questão climática poderá prejudicar as negociações sobre o comércio livre, no futuro.

A reunião dos ministros das Finanças do G20, o grupo dos países mais industrializados do mundo e as principais economias emergentes, acontece no sábado e no domingo, nos mesmos dias em que os líderes desses países se juntam em Brisbane, na Austrália.

O G20 foi formado em 1999 mas foi recatapultado para a ribalta mediática em 2008, em plena crise económica e financeira global, e representa 90% do PIB mundial, dois terços da população em todo o mundo e quatro quintos do comércio internacional.

Este grupo substituiu o G8 como o principal fórum internacional de coordenação económica, e junta, além de países, instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Os membros do G8 - Estados Unidos, Canadá, Japão, Rússia, Alemanha, Reino Unido, França e Itália - fazem parte do G20, que também inclui a União Europeia, México, Brasil, Argentina, África do Sul, Turquia, Índia, China, Indonésia, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Austrália, que este ano é a anfitriã do evento.

A reunião do G20 realiza-se no fim de semana, culminando um conjunto de encontros internacionais sobre outros temas como os negócios, o trabalho e a juventude.


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