Atlânticoline pondera recuperar antigo catamarã para substituir navio encalhado

Atlânticoline pondera recuperar antigo catamarã para substituir navio encalhado

 

Lusa/AO Online   Regional   28 de Fev de 2018, 07:10

O presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline, Carlos Faias, admitiu hoje vir a recuperar o antigo catamarã "Expresso do Triângulo" para colmatar a ausência do navio "Mestre Simão", que encalhou no porto da Madalena.


"Aquilo que estamos a fazer é uma avaliação no que se refere ao investimento e viabilidade económica na sua reabilitação, e a avaliação para uma posterior certificação, que está dependente da possibilidade de adaptação do navio aos meios de salvamento que têm de ser introduzidos", explicou o administrador, em declarações aos jornalistas, após uma audição na Comissão de Economia do parlamento dos Açores, realizada na ilha do Pico.

Segundo Carlos Faias, "há um conjunto de exigências técnicas" que o "Expresso do Triângulo", navio que está parado há mais de quatro anos no porto da Horta, alegadamente já não cumpre, em matéria de legislação europeia no que concerne ao transporte marítimo de passageiros.

O administrador da Atlânticoline adiantou que, caso seja viável recuperar o navio, serão necessários cerca de "três meses" de trabalhos em doca seca, para permitir preparar o catamarã para operar durante a época alta, altura em que a empresa transporta maior número de passageiros.

A audição de Carlos Faias na Comissão de Economia do Parlamento dos Açores, bem como da secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, surge a pedido dos deputados do PSD, que entendem que o Governo e a empresa pública deviam fretar um navio para compensar a ausência do "Mestre Simão".

Na ocasião, a titular da pasta dos Transportes no arquipélago anunciou também que a Atlânticoline vai "suspender" a Linha Lilás, que liga as ilhas do Faial, Pico, São Jorge e Terceira, até que seja construído um navio para substituir o "Mestre Simão".

"O cenário que se apresentou como mais viável implica a suspensão da Linha Lilás até estar disponível o navio que vai substituir o 'Mestre Simão' e que a região pretende adquirir", justificou Ana Cunha, recordando que a Atlânticoline "fez um esforço grande de ajustamento da sua operação", no sentido de provocar os "menores constrangimentos possíveis".

A Linha Lilás da Atlânticoline era uma linha sazonal, que apenas se realizava entre 15 de junho e 15 de setembro.

Entretanto, a Atlânticoline reiniciou na segunda-feira o transporte regular de viaturas entre as ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), devido à entrada em funcionamento do ferry "Gilberto Mariano", que regressou esta semana dos estaleiros de Aveiro, onde foi submetido a trabalhos de manutenção e vistoria.

O navio "Mestre Simão", construído em 2013 nos Astilleros Armon, em Espanha (tal como o seu irmão gémeo "Gilberto Mariano", ambos com 40 metros de comprimento), encalhou no porto da Madalena do Pico no dia 6 de janeiro, com 70 pessoas a bordo, mas o acidente não provocou feridos.

Os dois navios, que custaram à região cerca de 18 milhões de euros, têm capacidade de transportar entre 285 e 330 passageiros e entre oito e 12 viaturas.

Recorde-se que entre as ilhas do Triângulo, a Atlânticoline transporta anualmente mais de 500 mil passageiros.



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