Ataque ao hospital de Kunduz foi decidido pelos EUA e foi "um erro"

Ataque ao hospital de Kunduz foi decidido pelos EUA e foi "um erro"

 

Lusa/AO online   Internacional   6 de Out de 2015, 18:29

O hospital gerido pelos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, norte do Afeganistão, foi bombardeado "por erro" num ataque decidido pela cadeia de comando norte-americana, disse o general norte-americano John Campbell, chefe da missão da NATO naquele país.

 

“Um hospital foi atingido por erro” num ataque de forças norte-americanas “pedido” pelos afegãos mas decidido pela “cadeia de comando norte-americana”, afirmou o general numa audição na Comissão das Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos.

O bombardeamento do hospital, na madrugada de sábado, fez 22 mortos, incluindo três crianças. A MSF assegurou que “todas as partes” em conflito conheciam as coordenadas do hospital e pediu uma investigação independente.

“Para ser claro, a decisão de fazer um ataque aéreo era uma decisão norte-americana, tomada pela cadeia de comando norte-americana”, sublinhou.

“Um hospital foi atingido por erro. Nunca atingiríamos deliberadamente instalações médicas”, disse.

Na segunda-feira, numa conferência de imprensa em Washington, o general afirmou que o bombardeamento foi pedido pelas autoridades afegãs, o que foi criticado pela organização médica humanitária, que acusou os Estados Unidos “de tentar passar a responsabilidade para o governo afegão”.

O general explicou que as forças norte-americanas estavam a apoiar as tropas afegãs envolvidas em confrontos com os talibãs em Kunduz.

John Campbell afirmou, por outro lado, que os Estados Unidos devem ponderar aumentar o número de tropas norte-americanas no Afeganistão após 2016, atualmente previsto para menos de mil soldados.

“Acredito que temos de dar aos decisores opções diferentes ao atual plano”, disse.

O incidente com o hospital de Kunduz ocorreu dias depois de a cidade ter sido tomada pelos talibãs, na que foi considerada a mais importante vitória dos insurgentes desde que foram afastados do poder em 2001.

O exército afegão recuperou a cidade dias mais tarde, mas os confrontos prosseguiram entre as duas partes, que controlam diferentes bairros na cidade.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.