Bastonário quer que engenheiros sejam mais valorizados em Portugal


 

Lusa/AO online   Nacional   5 de Mar de 2015, 15:54

O bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Carlos Alberto Martins, considerou , na Cidade da Praia, em Cabo Verde, que a classe não está a ser valorizada "tanto como desejaria", mas reconheceu que é "um problema do mercado".

Carlos Alberto Martins falava à agência Lusa à margem do VI Encontro das Associações Profissionais de Engenheiros Civis dos Países de Língua Portuguesa e Castelhana, que arrancou hoje e prolonga-se até sábado na Cidade da Praia, defendendo que a valorização é também um problema de ajustamento a uma situação económica que é "completamente diferente" de há uns anos.

Segundo o bastonário, a competitividade e o mundo global fizeram com que a própria mentalidade tivesse que ser alterada.

"Havia muitos engenheiros que trabalhavam em função do mercado interno, mas agora têm de trabalhar para o mercado externo e para a internacionalização", explicou, recordando a década de 1980, em que o país registava uma situação de "pleno emprego" nas engenharias, para a atualidade, que "obrigou" os engenheiros portugueses a emigrarem.

Mas disse que quem está a ganhar com a mobilidade são os países economicamente mais desenvolvidos.

"No caso da Europa isso é bem evidente, Muitos dos engenheiros portugueses vão para Inglaterra, Alemanha, etc. Esta crise fez agravar as diferenças entre os países economicamente mais desenvolvidos e os com menos capacidade de implantar os seus conhecimentos", lamentou Carlos Alberto Martins, para quem a questão resolve-se com estímulo ao investimento no país e criação de condições para uma economia diferente.

"O que está a acontecer em países como Portugal é que têm competências, têm tecnologias, têm conhecimento, mas por vezes esses conhecimentos são aplicados noutros países, valorizando a economia desses países e não valorizando a nossa", constatou.

"É isso que Portugal tem que perceber: quando se faz um investimento que ele não seja apenas uma compra, que é o que está muita vezes a acontecer no país, a compra da empresa A por parte de um determinado país, e essa compra pode destruir aquilo que era uma relação comercial entre produtores e fornecedores de produtos para essa empresa", terminou.

Carlos Alberto Martins dá como exemplo a Rede Elétrica Nacional (REN), que tinha um conjunto de empresas que forneciam produtos, mas com a alteração do modelo de gestão da empresa, com alteração de donos, grande parte dos fornecimentos são feitos pelo país que fez essa aquisição, dizendo que isso aconteceu apenas "por interesse financeiro e não económico".


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