Assunção Cristas vai defender reforço financeiro europeu para os Açores

Assunção Cristas vai defender reforço financeiro europeu para os Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Abr de 2015, 06:07

A ministra da Agricultura e do Mar declarou que vai defender, na revisão do programa europeu para as regiões ultraperiféricas POSEI, um reforço financeiro para os Açores enfrentarem o fim do regime de quotas leiteiras.

 

“Aquilo que eu naturalmente defenderei, como tenho defendido, é apoiar o Governo Regional na negociação do POSEI, que está em revisão, no sentido de que possa vir algum dinheiro a mais para a região com o argumento da questão das quotas”, declarou Assunção Cristas.

A ministra prestava declarações aos jornalistas, em Ponta Delgada, após um encontro com o secretário regional da Agricultura e Ambiente do Governo Regional, no final de uma visita de 24 horas à ilha de São Miguel.

Questionada sobre se será fácil convencer o comissário europeu da Agricultura a acolher as propostas do país e da região, uma vez que este já afirmou que o POSEI já prevê medidas específicas para os Açores fazerem face ao fim das quotas, Assunção Cristas respondeu que explicou a Phil Hogan, na sua recente visita a Portugal, as especificidades da região.

A titular da pasta da Agricultura afirmou que apontou ao comissário a “forte dependência” dos Açores do setor leiteiro, bem como a dificuldade que existe na região de substituir esta atividade por outra.

“Nessa medida, continuaremos a trabalhar para que possa haver algum apoio. Em todo o caso, e a Comissão Europeia já o referiu oportunamente, já temos maneira de apoiar. Vale a pena olhar para o que temos e começar a mobilizar”, declarou a governante, apontando o caminho para o Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores (Prorural).

Assunção Cristas disse que é sua preocupação “antecipar problemas” através da criação de alternativas em termos de mercados que valorizem mais os produtos açorianos e paguem melhor.

“O pacote financeiro pode até aumentar indo buscar alguns fundos na área do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Creio que neste momento podemos utilizar todos os instrumentos que estão ao nosso alcance, seja dos fundos específicos da agricultura ou do FEDER ou dos fundos geridos diretamente pela Comissão Europeia, naturalmente, sem prejuízo de pugnarmos por mais alguma verba que possa vir para a região”, disse.

A ministra da Agricultura frisou que defenderá sempre o que for melhor para o país sem exceção, sendo que “tudo o que é mais verba é melhor”. Deixou ainda o desafio aos Açores para aproveitarem as verbas geridas diretamente pela Comissão Europeia que são destinadas à promoção de produtos, visando alcançar novos mercados.

O secretário regional da Agricultura e Ambiente declarou que as palavras da ministra Assunção Cristas vão ao encontro aos esforços que o executivo açoriano tem desenvolvido em Bruxelas, bem como em instâncias como a Conferência das Regiões Ultraperiféricas e Comité das Regiões e, mais recentemente, no encontro que manteve com o comissário Phil Hogan, em Lisboa.

“Temos evidenciado os nossos constrangimentos em termos de produção, nomeadamente, a nossa condição de região ultraperiférica e a distância dos mercados, pulverização das nossas explorações e a pequena dimensão do tecido empresarial agrícola, que conferem limitações relativamente ao que se passa nos países europeus, que estão muito mais próximos dos mercados”, declarou Neto Viveiros.

Embora o POSEI já tenha sido desenhado em função das condições de ultraperiferia, Luís Neto Viveiros entende que face ao desmantelamento do regime de quotas, à regressão do consumo no mercado internacional e aumento da produção em toda a Europa, incluindo nos Açores, está-se perante uma situação de “alguma anormalidade” em função do que se previa.

Os Açores produzem 30 por cento do leite no país e manifestaram-se contra a abolição do regime europeu de quotas de produção de leite, a 1 de abril.


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