Associações dos Açores avançam com projeto de valorização da zona costeira


 

Lusa/AO Online   Regional   13 de Abr de 2016, 18:21

O presidente da Associação Amigos do Mergulho, nos Açores, disse hoje que várias entidades vão apresentar uma candidatura à União Europeia para criar um projeto de desenvolvimento local de base comunitária para a zona costeira do grupo oriental.

“A filosofia deste projeto assenta no facto de as decisões serem tomadas de baixo para cima e não, como tradicionalmente acontece, de cima para baixo. Não é o Governo dos Açores a decidir por si só o que vai fazer e como vai aplicar o dinheiro”, declarou aos jornalistas Luís Resendes.

A Associação Amigos do Mergulho e a cooperativa Porto de Abrigo promoveram hoje, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, um encontro para expor o projeto, que vai ser submetido ao abrigo do Fundo Europeu dos Assuntos do Mar e das Pescas (FEAMP).

O porta-voz do encontro declarou que esta proposta de contrato para a valorização das comunidades costeiras e para a constituição de uma parceria de desenvolvimento sustentável e inclusivo irá permitir uma “envolvência da comunidade” nas opções a tomar.

O dirigente referiu que o grupo a formar para gerir o projeto vai representar não só a pesca, como empresários, clubes navais, juntas de freguesia, câmaras municipais, clubes de surf ou de windsurf, entre outras entidades, sendo, na sua leitura, de “todo o interesse que este abranja o maior número possível de vertentes da comunidade ligadas ao mar”.

Luís Resendes explicou que, uma vez que estão definidos limites em termos de população abrangida(um grupo está impedido de envolver menos de 10 mil habitantes ou mais do que 200 mil), ficarão associadas as ilhas de São Miguel e Santa Maria (grupo oriental). De outra forma, esta última ilha, mais pequena, ficaria isolada.

“Estes fundos comunitários são para aplicar projetos que de alguma forma venham valorizar as comunidades costeiras e promover a inclusão social. Sabe-se que as pescas atravessam hoje uma grave crise por falta de recursos. Há necessidade de, eventualmente, encontrar alternativas para que os pescadores não fiquem sem os seus rendimentos”, afirmou.

Segundo o responsável, pretende-se avançar com uma candidatura a fundos comunitários o mais brevemente possível, uma vez que o atual quadro comunitário de apoio, que cessa em 2020, já começou em 2014 e estes grupos já existem no continente desde 2010.

A Associação de Amigos do Mergulho gostaria que fosse feito algum investimento na preservação dos fundos marinhos dos Açores, que estão “muto depauperados” devido ao excesso de pesca gerado nos últimos anos.

“Andamos a lutar pela criação de áreas marinhas protegidas na ilha de São Miguel há cerca de 10 anos, o que não conseguimos. Não sei se por esta via vamos conseguir, mas é uma possibilidade que queremos explorar”, concluiu Luís Resendes.


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