Associação Deco chumba quase metade dos pratos de bacalhau de take-away analisados

Associação Deco chumba quase metade dos pratos de bacalhau de take-away analisados

 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Dez de 2014, 06:46

A associação de defesa do consumidor Deco chumbou quase metade das 26 refeições de bacalhau de take-away testadas, devido a má qualidade de fabrico ou conservação, embora não tenham sido detetadas bactérias que ponham em causa da saúde.

 

Os resultados do estudo, a publicar na próxima edição da revista Proteste, indicam que 12 das refeições prontas de bacalhau “apresentaram resultados negativos ao nível da contagem de micro-organismos a 30 graus”, indicador que dá uma ideia da contaminação geral do produto e do estado de conservação.

Foram analisadas 26 refeições adquiridas em cadeias de supermercados ou lojas das zonas de Lisboa e Porto.

As refeições chumbadas foram compradas em lojas das cadeias Celeiro, Continente, El Corte Inglês, Jumbo, Pão de Açúcar, Pingo Doce e Super Cor.

“Uma contagem elevada daqueles micro-organismos [a 30 graus] pode ser sinónimo de uma refeição mal conservada pelo simples facto de não ter sido mantida à temperatura adequada”, refere o artigo, adiantando também a possibilidade de ter ocorrido contaminação durante o período em que o prato esteve no expositor de alimentos.

A Deco recorda que se recomenda que as refeições refrigeradas sejam mantidas no expositor a uma temperatura entre os 0 e os 4 graus, enquanto os pratos quentes devem ser conservados acima de 65 graus.

Na análise às temperaturas dos expositores e das refeições foram encontradas temperaturas propícias ao desenvolvimento de micróbios.

Segundo o estudo, foram ainda detetadas em seis refeições de bacalhau “presenças indesejáveis” da bactéria ‘enterobacteriaceae’, que habita no intestino do Homem e dos animais e que é considerada um indicador que avalia a qualidade higiénica.

“Estes resultados podem ser interpretados como um sinal de lacunas ao nível da higiene (cozedura inadequada ou contaminação posterior) e de temperaturas de conservação demasiado elevadas”, refere a Deco.

Falta de higiene do funcionário que manipula dos alimentos, dos utensílios ou das bancadas podem contribuir as falhas detetadas.

“A boa notícia é que não encontrámos ‘e.coli’ nem micro-organismos patogénicos suscetíveis de causar toxi-infeções graves”, lê-se na Proteste. A bactéria ‘e.coli’ foi responsável em 2011 por um surto na Alemanha que atingiu alguns milhares de pessoas.

A associação de defesa do consumidor lembra que as intoxicações alimentares têm geralmente origem no desconhecimento ou descuido pelas regras básicas de higiene, tendo o estudo concluído que há falta de conhecimento ou negligência quanto às regras a cumprir.

“É necessário investir na formação profissional contínua dos funcionários que manipulam alimentos”, recomenda a Deco, apontando também para a necessidade de criar legislação com “parâmetros biológicos mais completos”.

Os resultados do estudo foram já enviados para a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e para a Direção-geral de Alimentação e Veterinária.

 


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