Associação de Imigrantes nos Açores teme retrocesso na convivência intercultural

 Associação de Imigrantes nos Açores teme retrocesso na convivência intercultural

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Nov de 2015, 18:58

O presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) manifestou hoje preocupação quanto um eventual retrocesso na dinâmica europeia de sã convivência entre pessoas de diferentes culturas devido aos ataques terroristas ocorridos em Paris.

“O nosso medo é justamente haver esse retrocesso nessa dinâmica que a sociedade europeia tem incrementado nos últimos tempos, que é a possibilidade de haver uma sã convivência em relação às diferentes culturas”, afirmou Paulo Mendes, acrescentando: “estamos a viver um momento particularmente difícil e podemos não ter a noção do que está a acontecer”.

Paulo Mendes falava aos jornalistas junto ao monumento das Portas da Cidade, no centro de Ponta Delgada, onde decorreu uma “concentração simbólica” para assinalar o Dia Internacional da Tolerância e prestar homenagem às vítimas dos ataques terroristas ocorrido na capital francesa a 13 de novembro.

Para o presidente da AIPA, este perigo já estava a ser vivido com a chegada de milhares de refugiados à Europa e agora, com o ataque terrorista em Paris, poderá agravar-se, fazendo com que “os europeus olhem de outra forma para os imigrantes”.

“Queremos viver numa sociedade sem medo”, porque estes ataques têm o potencial de “minar as bases da tolerância, da harmonia e de uma relação de respeito entre diferentes culturas dentro do mesmo espaço geográfico”, sustentou.

Os atentados ocorridos na sexta-feira à noite em vários locais da cidade de Paris (França), já reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), causaram mais de uma centena de mortos, entre os quais dois portugueses e centenas de feridos.

Questionado sobre a fraca adesão da concentração em Ponta Delgada, Paulo Mendes considerou que “muitas vezes existe uma apatia geográfica em relação às situações”. “Pensamos que estamos muito longe das coisas” mas “todos nós somos poucos para travar essa batalha de afirmação dos valores que todos nós defendemos”, sublinhou.

“Hoje em dia, não basta sermos solidários somente no contexto digital. O momento complexo que vivemos implica que possamos ir mais além, as pessoas tirarem do seu tempo e reafirmarem os valores que defendemos”, disse o presidente da AIPA.

Entre as poucas pessoas que aderiram à concentração, que durou cerca de uma hora, esteve Orleanda Silva, que considerou “lamentável” o que ocorreu em Paris, acrescentando que “é triste ver o ser humano a ficar cada vez mais insensível”. Orleanda defendeu a consciencialização das pessoas para terem amor ao próximo.

Também a imigrante brasileira Lúcia Santos, a viver hà quatro anos em na ilha de S. Miguel, disse ter visto o que aconteceu em Paris com uma “sensação de angústia, de medo”, alegando que “as pessoas já não têm valores, não medem as consequências dos seus atos”.


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