Associação da ilha Terceira defende que a tourada à corda seja Património da Humanidade

Associação da ilha Terceira defende que a tourada à corda seja Património da Humanidade

 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Abr de 2015, 18:30

A Associação de Mordomos das Festas Tradicionais da Ilha Terceira publicou um livro que resume os motivos pelos quais, em sua opinião, as touradas à corda devem ser elevadas a Património da Humanidade da Unesco.

"[A tourada à corda da Terceira] tem um conjunto de características de antiguidade, de originalidade e de atualidade que, de acordo com os critérios da Unesco, merece ser classificada como património da Humanidade: o ecossistema, a natureza, o interior da ilha, o próprio gado bravo, que tem um património genético muito antigo, as festas do culto do Espírito Santo antiquíssimas", frisou Arnaldo Ourique, membro da associação e autor do livro.

"A Terra e o Gado, a Corda e as Gentes" é o título da obra, apresentada hoje em conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, e que o seu autor assume como um "ensaio interpretativo" da tourada à corda da ilha Terceira, "para efeitos de construção de uma ideia projeto para a elevar a Património da Humanidade".

Segundo Arnaldo Ourique, o livro, preparado ao longo dos últimos dois anos, é apenas um resumo da tradição.

"É preciso não esquecer que, em metade de um ano civil, nós fazemos quase 300 touradas à corda", frisou.

A origem da tourada à corda, ligada às festas do Espírito Santo, é de 1217, tendo sido introduzida na ilha Terceiro logo no início do povoamento, a partir de 1453, de acordo com o autor do livro.

Apesar de a tradição permanecer "viva e profundamente enraizada", Arnaldo Ourique considera que é importante garantir a sua preservação, através do reconhecimento da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

"É necessário olharmos para isso com outra responsabilidade para não se perder aquilo que nós temos há mais de 500 anos, designadamente a própria forma das festas se organizarem", salientou.

A associação vai agora entregar o livro à Unesco, em Angra do Heroísmo, Lisboa e Paris, mas também ao Governo Regional dos Açores e ao Governo da República.

"A fase subsequente é que a Região Autónoma dos Açores, a Unesco em Portugal e a Unesco Internacional acolham esse projeto e que o abracem. Esperemos que o projeto tenha qualidade para os convencer a ver que estão perante uma realidade que é imensamente íntima dos terceirenses e que é necessário preservar, que é necessário valorizar e são eles que têm essa responsabilidade institucional para esse efeito", salientou.

As touradas à corda já foram classificadas em todas as juntas de freguesia da ilha Terceira, por isso, a associação espera agora um reconhecimento "regional".

"A Região Autónoma dos Açores tem agora pelo menos o dever de olhar para isto e se vir que isto tem valor para esse efeito, ela própria tem de fazer esse reconhecimento objetivamente", defendeu Arnaldo Ourique.

O representante da associação considerou ainda que há condições para que este processo avance rapidamente.

"A nossa esperança é que a Região Autónoma dos Açores faça um casamento perfeito com os serviços portugueses da Unesco e que isto seja já aprovado este ano. Também temos consciência que isto pode ser difícil", adiantou.

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