Associação cívica tem 200 famílias carenciadas referenciadas na ilha de São Miguel

Associação cívica tem 200 famílias carenciadas referenciadas na ilha de São Miguel

 

Lusa / AO online   Regional   24 de Mai de 2015, 12:09

A Associação cívica Ilhas em Movimento (AIM), que completa sete anos, tem sinalizadas perto de 200 famílias carenciadas na ilha de São Miguel, que apoia regularmente, devido à crise.

 

“A primeira angariação que fizemos para distribuição de agregados familiares mais pobres foi em 2008. A partir daí, fomos tomando nota das moradas, dos agregados, do número de filhos e temos o cuidado de, sempre que temos algum excedente, ajudar estas famílias”, disse o presidente da associação, Ricardo Pacheco, em declarações à Lusa.

Com sede em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores, a associação foi criada em agosto de 2008 com o objetivo de discutir matérias de natureza social, cultural e económica, e tem desenvolvido várias campanhas de apoio social e outras iniciativas. Abordou ainda, entre outros problemas, a questão do abuso sexual de crianças, mas segundo Ricardo Pacheco, “atualmente, 70% do trabalho" da organização "tem sido o apoio a uma série de famílias”.

“A AIM tem-se dedicado a campanhas de solidariedade social, o que nos levou a ter uma base de dados de quase duas centenas de famílias por toda a ilha de São Miguel, grande parte são agregados monoparentais, que ajudamos com alguma regularidade, quer seja com alimentos ou bens de primeira necessidade”, disse, acrescentando que a associação já distribuiu também meia centena de mochilas no âmbito da iniciativa "Kit Escolar" e mais de oito mil brinquedos.

Além da crise e do desemprego, que coloca muitas famílias "em grandes dificuldades", Ricardo Pacheco apontou ainda para uma outra questão relacionada com o pagamento de pensão de alimentos pelos progenitores, em caso de divórcio.

“São tão banais, nas ilhas, situações em que após o divórcio dos pais, um dos conjugues não paga a prestação alimentar mensal, por uma série de razões. E isto devia ser um crime público porque o pai que não paga alimentos ao seu filho se calhar deve ser o primeiro a ser levado à justiça. E há muitos destes casos”, alertou o advogado.

Ricardo Pacheco explicou que o apoio é feito "sempre que a associação consegue donativos" para distribuir e fruto de campanhas de angariação de meios através da venda de 'merchandising' da organização ou a realização de eventos.

"Infelizmente, esse apoio não é feito todos os meses, nem num dia determinado de cada mês. O apoio é feito sempre que nós temos coisas para distribuir. Por exemplo, há cerca de um mês distribuímos mais de 500 couves em bairros carenciados de São Pedro, São Roque, Livramento [Ponta Delgada]", contou, sublinhando o "importante" contributo da comunidade e o "grande esforço" de muitas entidades no combate à pobreza.

Além da área da solidariedade social, a associação tem-se dedicado à questão do abuso sexual de crianças promovendo iniciativas que visam alertar para este fenómeno através de petições e abaixo-assinados.

“Tentamos lutar pela existência da tal base de dados de pedófilos e tentamos e sugerimos uma série de apoios às crianças vítimas deste terrível flagelo”, salientou Ricardo Pacheco, acrescentando que a associação disponibiliza apoio jurídico gratuito às famílias que o solicitem.

A luta contra o analfabetismo, a questão da infoexclusão, o reforço do papel dos avós na sociedade, o abandono escolar e os sem abrigo são outras das temáticas focadas pela Associação Ilhas em Movimento, que colabora também com outras organizações internacionais na recolha de bens.


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