"Artivistas" no Palácio da Ajuda exigem "o fim da política cultural mercantilista"

"Artivistas" no Palácio da Ajuda exigem "o fim da política cultural mercantilista"

 

Lusa/AO online   Nacional   15 de Set de 2014, 18:44

A "performance artivista" realizada no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, onde funciona a Secretaria de Estado da Cultura, exigiu "o fim da política cultural mercantilista que está a ser aplicada", disse um dos participantes.

 

A performance, liderada pelo artista plástico Rui Mourão, intitulou-se "Morrem lentas as urnas onde não cabem os sonhos", e terminou perto das 17:45 de hoje, depois da entrega de três cartas com as declarações de princípio dos "artivistas" na portaria do palácio.

“As três cartas têm o mesmo texto, uma é endereçada ao secretário de Estado da Cultura, outra ao ministro da Cultura e a terceira ao Diretor Geral do Património Cultural”, disse Mourão.

Segundo Rui Mourão, na carta estão expressos os argumentos que defendem, nomeadamente “1% [do Orçamento do Estado] para a Cultura, como recomenda a UNESCO, a gratuitidade todos os domingos nas entradas no Museus, e preços mais reduzidos nos outros dias”.

Outras exigências expressas são “o fim da política cultural mercantilista que está a ser aplicada, baseada nessa visão exclusivamente economicista em que se passou a avaliar os museus pelo valor das suas receitas (de bilheteira, lojas, aluguer de espaços, etc.), dependendo disso os futuros orçamentos anuais de cada museu, e a reposição do Ministério da Cultura”.

Esta foi a terceira "performance artivista" do artista plástico Rui Mourão depois das realizadas no Museu do Chiado, em Lisboa, no dia 04 de julho, intitulada "Os nossos sonhos não cabem nas vossas urnas", e no Museu Nacional de Arte Antiga, também na capital, no dia 17 de agosto, sob o título "Os vossos sonhos não cabem nas nossas urnas".

Em declarações à Lusa, Rui Mourão afirmou que tem recebido “diversos apoios de outros artistas, alguns até que emigraram e também grupos artísticos”.

Hoje, entre os participantes na "intervenção artivista de protesto" esteve “um coreógrafo português que já pisou importantes palcos internacionais de Washington a Manaus”, no Brasil, salientou.

A “performance artivista de protesto” de hoje reuniu cerca de 30 pessoas que caminharam no pátio central do Palácio da Ajuda lendo, em jeito de recitação, autores como Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Luís de Camões, António Gedeão, Herberto Hélder e Miguel Torga, entre outros.

Quatro dos “performers” envergavam uma máscara de uma cabeça de porco simbolizando o poder e davam ordens aos restantes, agrediam os outros que se defendiam com o livro que liam, e os submetiam a formar o símbolo do euro, “demonstrando que para o poder a Cultura é apenas euros”, explicou Rui Mourão.

“Tem de haver mais poesia, não pode ser só a lógica economicista do dinheiro. A arte não pode ser vista apenas na perspetiva de sacar dinheiro”, defendeu Rui Mourão que acrescentou que os “artivistas” são contra a venda das obras de Joan Miró, da coleção do ex-BPN, defendo a sua exposição num espaço público.

A iniciativa “artivista” suscitou a curiosidade dos funcionários dos diferentes gabinetes que funcionam no palácio, alguns, no início, sem conhecer o contexto opinaram que seria “uma praxe académica”, enquanto outros prontamente consideram que era “um ensaio para uma dessas peças modernistas”.

A performance incluiu um “drone” manipulado por um dos intervenientes, que filmou toda a coreografia, que incluiu a simulação por um dos "porcos" de um ato sexual com a placa "património cultural" colocada na entrada do edifício que dá acesso aos gabinetes governamentais.


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