Artistas reinterpretam obra do pintor Domingos Rebelo nos Açores

Artistas reinterpretam obra do pintor Domingos Rebelo nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Jun de 2016, 08:22

Artistas de várias áreas vão reinterpretar a obra do pintor Domingos Rebelo, cujos 125 anos do nascimento serão assinalados em Ponta Delgada, nos Açores, também com uma exposição reunindo 60 obras representativas do seu percurso.

“A partir das obras expostas, convidamos um conjunto de artistas, desde fotógrafos, ‘designers’ de moda, pessoas ligadas ao vídeo, música, cerâmica, escultura, pintura, poesia e aos têxteis para também reinterpretarem e interpretarem através das linguagens contemporâneas a obra de Domingos Rebelo, um dos maiores artistas dos Açores”, afirmou à Lusa o diretor do Museu Carlos Machado, que assinala os 125 anos do nascimento do pintor, com 60 obras, numa exposição que abre na sexta-feira e fica patente até 25 de setembro.

Segundo o diretor do Museu Carlos Machado, Duarte Melo, estas 60 obras do pintor foram escolhidas de “uma forma criteriosa” por Leonor Pereira, a comissária da mostra e coordenadora deste projeto, e vão estar expostas nos núcleos de Santa Bárbara e de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, na cidade de Ponta Delgada.

“Vamos privilegiar muito as latadas de Domingos Rebelo, a paisagem, fantástica pela sua luz, pelo traço da pincelada. Vamos também ter algumas obras relacionadas com a identidade, nomeadamente a parte dos fenómenos religiosos, em concreto os romeiros”, revelou o diretor, acrescentando que a exposição inclui, ainda, "a grande obra e a mais conhecida de todas” do pintor, “Os Emigrantes”, de 1926.

Duarte Melo considerou existirem atualmente "muitas reminiscências" desta memória viva do povo açoriano, da sua alma e da paisagem que Domingos Rebelo retratou nas suas obras de forma "bucólica", com "sentimento" e "luz".

Além da exposição, a mostra sobre Domingos Rebelo desdobra-se pela cidade de Ponta Delgada, em espaços que vão acolher intervenções de diferentes artistas, nomeadamente na galeria Miolo, no Louvre Michaelense, um atual café, na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, que, "a partir da obra de Domingos Rebelo, irão fazer a sua interpretação ou reinterpretação".

Paralelamente, alunos de arte das escolas secundárias da cidade - as escolas Domingos Rebelo e a Antero de Quental - vão conceber um selo e postais.

Os 125 anos do nascimento do pintor Domingos Rebelo serão também assinalados com palestras que, a partir da literatura, ciência, educação, história da arte e psicologia, irão desenvolver "conversas soltas em torno da obra" do pintor, indicou Duarte Melo.

Para o responsável, o programa procura criar “sinergias culturais” e redes de proximidade entre a instituição e a sociedade onde o museu está implantado.

O responsável pelo museu frisou que o pintor não imprimiu apenas aos seus trabalhos um caráter “puramente etnográfico”, sendo "um dos maiores artistas dos Açores ou o mais iconograficamente conhecido e reconhecido", no panorama da arte portuguesa.

Domingos Rebelo, que nasceu em Ponta Delgada, em dezembro de 1891, começou a pintar com oito anos, e a sua primeira exposição aconteceu quando tinha 13 anos, numa loja de fazendas na rua António José de Almeida, no centro de Ponta Delgada, então designada por “Louvre Michaelense”, com uma série de pequenos quadros a óleo expostos nas vitrinas.

 


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