Artista visual açoriana candidata a vencer Prémio Sonae Media Art

Artista visual açoriana candidata a vencer Prémio Sonae Media Art

 

Miguel Bettencourt Mota   Regional   5 de Dez de 2017, 14:29

A artista micaelense, Sofia Caetano, está a expor no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, e sabe esta quarta-feira se venceu o Prémio Sonae Media Art. A obra chama-se GOD e é "uma nave espacial" com destino aos primeiros dias da Criação do mundo. Pelo caminho, há som, luz, fotografia, vídeo e escultura para fazer contrapor a tecnologia à espiritualidade. Sofia levou o Açoriano Oriental em viagem e falou-nos das questões que a exposição levanta, do seu percurso profissional e dos projetos para o futuro.  






Esta quarta-feira sabe se vence o Prémio Sonae Media Art. Ansiosa?

Até agora estive muito calma, mas confesso que já estou com aquele nervoso miudinho... De qualquer forma, foi uma oportunidade única poder ganhar uma bolsa para criar uma obra inédita e foi ótimo poder trabalhar com o Museu [Nacional de Arte Contemporânea] e com os restantes finalistas. Isso representou, por si só, um grande prémio. Se o primeiro prémio vier, pois muito bem...Se não vier, há muito caminho pela frente.

GOD é o nome da sua exposição. De que se trata?

GOD é uma instalação multimédia e é o resultado de um trabalho que eu fiz como finalista do Prémio Sonae. Eu desenhei-a para funcionar como uma nave espacial. Assim, quem entrar no espaço pode ver uma espécie de anel com sete impressões fotográficas, em alusão aos primeiros sete dias da Criação, como nos sugere o Genesis. Pouco depois, há uma passadeira com sensores que acendem luzes até se chegar a uma torre com um botão que tem inscrito GOD. Aí, há também uma objeto escultórico suspenso a partir do tecto para o qual são projetados três canais de vídeo, também tendo como referência os primeiros sete dias do Genesis.

Há algum simbolismo, ou uma mensagem em particular que a instalação pretenda transmitir?

Quando trabalho não penso tanto em simbolismos, preocupo-me mais em levantar questões. Interessou-me, neste caso, contrapor a tecnologia com a espiritualidade. São dois universos diferentes…

A obra é mais reflexo da espiritualidade da Sofia, ou do seu contrário?

Eu acho que as obras valem por si mesmas e da relação que as pessoas constroem com elas… Muito mais do que a forma como eu as interpreto e do que as minhas crenças e convicções pessoais. O importante para mim enquanto artista, é a ligação que o objeto cria com o espetador.

Nesse sentido, como acha que tem resultado junto das pessoas? Que 'feedback' lhe tem chegado?

Eu julgo que a componente interatividade que envolve a peça tem funcionado bem. As pessoas sentem que estão a fazer parte dela. Eu desenhei-a para ser uma experiência individual e na inauguração – eu não me apercebi porque não estava na sala – contaram-me que havia pessoas a ‘brigar’ para vê-la e experienciá-la. Gostei também dos comentários positivos acerca do visual da peça. Foi algo que me agradou já que sou uma artista visual e uma vez que isso é sinal de que a vertente estética captou a atenção do espetador.

O que significa para si o facto de ter sido escolhida por entre as 123 candidaturas que se apresentaram ao Prémio Sonae Media Art ?

Para mim significa poder trabalhar em Portugal, uma vez que trabalho mais nos Estados Unidos da América. E essa oportunidade é algo que me satisfaz imenso. Além disso, significa poder ter a honra e o prazer de trabalhar no Museu Nacional de Arte Contemporânea, com todas as condições que oferece. Foi também importante conhecer os outros quatro artistas finalistas e trabalhar com a curadora Emília Tavares…Na verdade, estou um pouco desligada do panorama artístico nacional e, então, todos os espaços que tenho para colocar-me de novo em contacto, aproveito-os, e são sempre fantásticos para mim.

Considera que seria dificil ter acesso às mesmas oportunidades se estivesse a criar em São Miguel?

Acho que há sempre oportunidades se estivermos dispostos a correr por elas, estejamos nós em São Miguel, Lisboa, ou nos Estados Unidos da América. Agora, e apesar de os Açores serem um lugar incrível para criar, julgo ser difícil fazer crescer uma carreira do zero, a partir deles. Penso ser sempre importante mostrarmos os nossos trabalhos em lugares e a pessoas diferentes. Mas isso é mera especulação...

...Especulação é curiosamente o nome da sua próxima exposição, que vai ser acolhida em Ponta Delgada. O que podemos esperar?

Essa vai ser a minha primeira exposição a solo e a convite da Galeria Fonseca Macedo vou lá mostrá-la em junho. Ainda estou a projetar a exposição, mas o que estou em condições de adiantar é que estou interessada em trabalhar com projeção de vídeo e desenho. Farei também, à semelhança do que está patente na peça GOD, uma curadoria de filmes educacionais dos anos 60 e 70. Conceptualmente, a obra pretende levantar questões quanto à especulação que existe no mundo da arte e no nosso dia-a-dia.




Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.