Armando Vara fala sobre almoços com Godinho

Armando Vara fala sobre almoços com Godinho

 

Lusa/AO Online   Nacional   9 de Nov de 2011, 11:48

O ex-ministro socialista Armando Vara, que está a ser julgado no âmbito do processo "Face Oculta", afirmou hoje ter uma grande empatia por Manuel Godinho, o principal arguido no caso, mas negou que este lhe tenha solicitado quaisquer diligências.

"Manuel Godinho nunca me solicitou diligências junto de quem quer que seja", afirmou Armando Vara, que falava no início da segunda sessão do julgamento, que está a decorrer no Tribunal de Aveiro.

O antigo ministro socialista referiu-se ainda a um pedido que fez a Paiva Nunes, quadro da Refer, também arguido neste processo, para receber Manuel Godinho, afirmando que se tratou de uma diligência da sua iniciativa.

Armando Vara assumiu que, desta forma, pretendia ajudar o sucateiro, que se debatia com "alguns problemas nas suas empresas relativamente a alguns clientes, relacionados com dificuldades de recebimento, e o problema que havia com a Refer no tribunal".

"O encontro correu bem e eu parti para outra", afirmou, acrescentando que só veio a ter conhecimento dos desenvolvimentos desta reunião mais tarde, durante o processo.

Durante cerca de uma hora, o antigo ministro e ex-vice-presidente do BCP falou ao tribunal dos vários almoços que teve com Manuel Godinho, alguns dos quais na companhia do arguido Lopes Barreira, que o apresentou ao empresário em 2002.

"Senti empatia pelo Manuel Godinho logo no primeiro contacto e esse sentimento foi aumentando", acrescentou.

Questionado pelo juiz Raul Cordeiro, que preside ao coletivo de juízes que está a julgar o caso, sobre as prendas que recebeu de Manuel Godinho, Vara confirmou ter recebido apenas "uma caixa de robalos e duas caixas de pão-de-ló, por altura da feira do fumeiro em Vinhais, e um equipamento do clube do Esmoriz, para o filho".

O ex-ministro referiu-se ainda a um almoço que decorreu na casa de Godinho, em Ovar, onde este lhe entregou um envelope com uma cópia do acórdão da Relação do Porto sobre o caso que opunha a 'O2' - empresa de Manuel Godinho - à Refer.

O juiz quis saber qual terá sido a finalidade da entrega deste documento a Vara, ao que o arguido respondeu: "Julgo que queria demontrar que tinha ganho de causa para que não ficasse com qualquer duvida sobre a sua seriedade".

A sessão foi interrompida para uma pausa cerca das 11:30, devido a dificuldades com o sistema de áudio usado para ouvir as escutas que constam do processo, devendo a sessão recomeçar às 13:30, com a continuação da audição de Armando Vara.

O caso 'Face Oculta', que começou terça-feira a ser julgado no Tribunal de Aveiro, tem 36 arguidos (34 pessoas e duas empresas) e está relacionado com uma alegada rede de corrupção que tinha como objetivo o favorecimento de um grupo empresarial de Ovar ligado ao ramo das sucatas nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.


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