Área de produção de castas nobres dos vinhos do Pico vai duplicar com novas marcas no mercado

Área de produção de castas nobres dos vinhos do Pico vai duplicar com novas marcas no mercado

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Ago de 2015, 09:42

A ilha do Pico, nos Açores, prepara-se para duplicar a produção das castas nobres do seu vinho, numa altura em que surgiram mais quatro marcas no mercado e cuja oferta é insuficiente para a procura.

“Desde que entrou em vigor o programa VITIS, em agosto de 2014, já foram entregues candidaturas para mais de 130 hectares no Pico, essencialmente para as castas tradicionais, como o verdelho, arinto dos Açores e terrantês do Pico. Estamos prestes a duplicar a área das castas nobres dos Açores em produção”, disse à agência Lusa o presidente da comissão executiva da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores.

Atualmente, existem em produção no Pico, onde a paisagem da cultura da vinha é classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, cerca de 130 hectares, acrescidos de cerca de 100 hectares que, segundo Paulo Machado, estão em fase de instalação e que resultam de projetos apoiados pelo Governo dos Açores ao abrigo do programa para a reabilitação das vinhas abandonadas.

Estas vinhas, de acordo com o responsável pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, estarão em produção dentro de cerca de três anos, enquanto as do Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha (VITIS) darão frutos dentro de cerca de quatro anos.

A maioria dos produtores do Pico manteve as marcas que tinham lançado em 2014, tendo surgido, entretanto, um novo produtor que recentemente lançou quatro produtos diferentes no mercado, designadamente um rosé, um tinto e dois brancos.

“Os produtos estão a ter uma grande empatia e aceitação por parte do público, tendo a maior parte sido para exportação, para diferentes países europeus, o que pode ser o abrir de algumas portas para toda a produção, não só do Pico mas também da região”, considerou Paulo Machado.

Numa altura em que existem cerca de 20 marcas de vinhos certificados, o presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores sublinhou que, nos últimos anos, tem-se assistido a uma “evolução exponencial” em termos de valorização do preço dos vinhos, atingindo-se hoje o triplo de há cinco anos.

Paulo Machado admitiu que este ano se registe um “decréscimo muito ligeiro” da produção na ilha do Pico, havendo ainda a destacar o facto de, no âmbito da qualidade, começarem a aparecer sinais de podridão em algumas castas mais precoces.

Tem chovido com alguma regularidade e o tempo tem estado muito húmido, o que é “extremamente favorável” a estas situações, de acordo com o responsável da cooperativa regional.

“Este ano, vamos ter uma vindima antecipada porque as uvas estão mais avançadas no seu estado de maturação”, declarou o dirigente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, apontando que, “por enquanto, a maioria do produto é consumida na região e não chega para a procura”.

Regista-se o facto de começar a haver algumas marcas a percorrerem o caminho da internacionalização, o que dá “bons indicadores de que [esta] será também uma alternativa de mercado”, segundo Paulo Machado.

Há alguns anos que o produtor e consultor de vinho António Maçanita tem conseguido colocar um vinho de origem da ilha do Pico (Arinto) em vários restaurantes europeus com três estrelas Michelin, como o belga ‘Carlet’, o que tem contribuído para a notoriedade do produto açoriano.

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