Arco do Cego, em Lisboa, reúne


 

AO/Lusa   Nacional   23 de Abr de 2016, 14:20

O Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, é uma das zonas da capital que sofreram uma grande transformação, assumindo-se agora como um local onde pessoas de todo o país se reúnem para conviver e beber uma cerveja.

 

As reuniões acontecem durante os dias de semana, ao final da tarde, quando aquele espaço é ‘invadido’ por centenas de pessoas, sobretudo quando está bom tempo.

A maioria dos adeptos do Jardim do Arco do Cego são jovens universitários. Os primeiros a colonizarem aquele espaço foram os estudantes do Instituto Superior Técnico, localizado nas imediações.

“Nós temos pessoas de Castelo Branco, temos pessoas do Porto, temos pessoas de Braga, temos pessoas do Alentejo, temos pessoas de todos os pontos do país que vêm para o Arco do Cego”, sublinha a proprietária da Cafetaria Italiana, em declarações à agência Lusa.

Pelas 19:00 de uma sexta-feira, a fila está composta à porta do estabelecimento, “pioneiro dos 50 cêntimos”, o preço de cada cerveja. O valor ajudou a espalhar a fama do jardim.

Há “mais de meia dúzia de anos” que Ana Araújo se estabeleceu naquele que diz ser um lugar seguro e “muito tranquilo”.

Opinião discordante tem o presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas.

“O jardim hoje em dia é um recreio ao ar livre, não só para os alunos do Instituto Superior Técnico, mas para outras escolas aqui da redondeza”, critica José Soares, referindo que se comercializam bebidas alcoólicas “inclusivamente a menores de idade” e que “todo o espaço que deveria ser para usufruto público está tornado numa perfeita tomada de assalto deste jardim”.

Na opinião do representante, “é impossível” os moradores usufruírem do espaço, que outrora foi uma gare de elétricos e um terminal rodoviário.

“Foi uma luta dos moradores desta zona da cidade para […] retirar todo o tráfego que havia aqui de autocarros e transformar num jardim, que é isto que nós temos aqui hoje, o jardim do Arco do Cego”, aponta.

A par do barulho e da insegurança, os moradores queixam-se também do lixo que fica no jardim, inaugurado em 2005.

A associação que os representa defende que a zona seja abrangida por “um regulamento municipal para consumo de bebidas alcoólicas na rua, algo que limitasse este tipo de comportamentos, este tipo de abusos”.

A lisboeta Francisca Moura dos Santos é frequentadora assídua da zona.

Explicando que já fez várias amizades durante as tardes que passou no local, a estudante indica que “como este [sítio] é tão perto de várias escolas dá imenso jeito para os alunos”.

Natural do distrito de Bragança, Rui Ramos estuda numa universidade da capital e conheceu o espaço através de amigos.

“Tendo em conta já a história do Arco do Cego, [que] é a cerveja barata, bebemos uma cerveja e estamos à conversa”, conta, acrescentando que por vezes também procura o espaço “só mesmo para apanhar um bocadinho de sol”, sem álcool à mistura.

Sobre as críticas dos moradores quanto ao lixo, o futuro médico de 23 anos defende que “não se justifica ficarem copos no chão” quando existem contentores a poucos metros de distância. Se isso acontece, afirma, a culpa é dos utilizadores do espaço.

A proprietária da Cafetaria Italiana diz que incentiva a reciclagem no seu estabelecimento, mas aproveita para instar a autarquia a colocar mais caixotes do lixo no jardim, porque considera que “há muito poucos”.

Questionado pela Lusa sobre o assunto, o presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, Daniel Gonçalves, vincou que “o jardim está a funcionar plenamente bem”.

“Eles não fazem ali distúrbios nenhuns, os estudantes, e no dia seguinte de manhã as nossas equipas vão constantemente fazer a limpeza, portanto o jardim está sempre limpo”, salientou.

A transformação do jardim pode não parar por aqui. No futuro, o espaço pode vir a incluir um parque infantil e um quiosque, projeto em estudo pela Junta de Freguesia.

 


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