Arábia Saudita quer abandonar petróleo

Arábia Saudita quer abandonar petróleo

 

Lusa/AO online   Economia   22 de Mai de 2015, 17:32

O ministro do Petróleo da Arábia Saudita, o maior produtor mundial de crude, anunciou que o país pode diminuir progressivamente a produção nas próximas décadas, tornando-se "uma potência mundial em energia solar e eólica".

 

"Na Arábia Saudita reconhecemos que, em última análise, um dia destes não vamos precisar de combustíveis fósseis, não sei quando, em 2040 ou 2050 ou depois disso", disse Ali al-Naimi, o ministro do Petróleo do maior produtor mundial, com cerca de 10 milhões de barris por dia.

A declaração é uma surpreendente admissão de uma nação cuja riqueza, poder e influência no mundo estão radicadas nas suas vastas reservas de crude, considera o jornal britânico Financial Times (FT), que avança hoje com esta notícia sobre as declarações de al-Naimi.

Assim, o reino planeia tornar-se "um 'player' global na energia solar e eólica" e pode começar a exportar eletricidade em vez de petróleo nos próximos anos, noticiou o FT, que nota, no entanto, que muitos analistas da indústria da energia consideram que o abrandamento até 2040 é demasiado ambicioso, dado que 25% da produção diária da Arábia Saudita é para consumo interno.

Apesar de reconhecer que a Arábia Saudita pode um dia deixar de usar petróleo, gás e carvão, o ministro do Petróleo disse que os apelos para que se deixe de usar energia petrolífera rapidamente são, na prática, impossíveis.

"conseguem dar-se a esse luxo já?", questionou o governante, salientando que "isso pode ser um grande objetivo, mas vai demorar ainda imenso tempo".

A Arábia Saudita, tal como outros estados no Golfo, há muito que planeia usar mais energias renováveis: há três anos, lembra o FT, as autoridades do reino disseram que queriam construir centrais solares suficientes para conseguirem exportar energia solar e eletricidade, mas as recentes descidas no preço do petróleo tornam esse objetivo mais distante.

O ministro do Petróleo, no entanto, considera que a descida dos preços, ao contrário, torna o tema mais premente: "Eu acredito que a energia solar é ainda mais económica que os combustíveis fósseis".


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.