APAV diz haver "aumento ligeiro" de denúncias de bullying nos Açores

APAV diz haver "aumento ligeiro" de denúncias de bullying nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   18 de Mai de 2015, 15:40

A Associação de Apoio à Vítima (APAV) disse hoje haver um "aumento ligeiro" de denúncias de casos de "bullying" nos Açores, que "regra geral" ocorrem nas imediações das escolas ou no percurso até à escola e no espaço virtual.

“É um aumento ligeiro. As escolas têm o problema controlado internamente e tentam resolver estes assuntos internamente sempre que há um conflito, mas muitas vezes acontece nas imediações [das escolas]”, disse a coordenadora nos Açores da APAV, Helena Costa, em declarações à Lusa, frisando que as escolas do arquipélago têm apostado na prevenção.

Embora sem avançar com números, admitiu que aparecem mais denúncias, um aumento que justifica por ser também um problema "mais focado na comunicação social".

“Muitas vezes, estamos a fazer um atendimento a uma criança por causa de um problema que não está relacionado com 'bullying' e é no decorrer deste atendimento que ela nos conta que é vítima de 'bullying'. Portanto, o silêncio também é maior inimigo nesta tentativa da APAV em apoiar as vítimas de 'bullying'”, disse, alertando que os pais têm de estar atentos "a sinais muito subtis", como uma recusa em frequentar as aulas ou em ir para os intervalos.

De acordo com Helena Costa, são sobretudo telefonemas e e-mails que chegam à APAV com estas denúncias.

"Batem-nos à porta muitos miúdos, mas sobretudo telefonam ou enviam e-mails crianças que se sentem prejudicadas por outros colegas na sua vida quando são vítimas de 'bullying'", avançou.

Helena Costa disse que a APAV tem apostado nos últimos anos em ações de informação e sensibilização que já abrangeram centenas de professores e alunos, em todas as escolas dos Açores, e que incidiram sobre estudantes do 7.º, 8.º e 9.º anos.

“Além disso, as escolas, quando têm um problema, contactam-nos. Isto tem acontecido em situações de 'bullying' ou violência no namoro. Mas o que é importante, e as vítimas de 'bullying' têm de ter isto em consideração, é que devem contar a alguém, porque enquanto não contarem ninguém vai poder ajudar”, frisou.

A questão do 'ciberbullying' é outra das temáticas focadas pela APAV no seu trabalho de sensibilização, tendo Helena Costa alertado para a supervisão que os adultos devem fazer em relação ao que se passa com os seus filhos "nas redes sociais".

"Sempre existiram situações de 'bullying' entre crianças. O que está a acontecer é que existem novas formas de 'bullying', nomeadamente, através do recurso à internet e às redes sociais e, portanto, vão sempre surgindo novas situações que podem configurar 'bullying'", sustentou, considerando, contudo, que as vítimas têm "muita relutância" em denunciar.

Nos Açores, e no âmbito de um projeto nacional, a escola Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, desenvolve durante o ano letivo um programa de prevenção e de alteração de alguns comportamentos, nomeadamente relações afetivas com violência, a violência entre pares e consumo de substâncias psicoativas, explicou ainda.

"É preciso que as crianças contem aos seus pais e este é um grande problema da situação de 'bullying'. É que as crianças têm vergonha de contar e estamos a falar de uma prática que pode prejudicar os jovens em termos futuros", alertou, relatando que existem ainda crianças que não partem para a denúncia por "não sentirem apoio por parte da família".

Helena Costa disse que 80% das situações que chegam até à APAV nos Açores referem-se a violência doméstica, a que se seguem os crimes contra as pessoas e os crimes contra o património.


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