APAV/Açores diz que há mais denúncias de violência doméstica de familiares e amigos de vítimas

APAV/Açores diz que há mais denúncias de violência doméstica de familiares e amigos de vítimas

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Nov de 2014, 07:49

A coordenadora nos Açores da Associação de Apoio à Vitima (APAV) disse que desde que a violência doméstica é considerada crime público, há cada vez mais denúncias na região que partem "da rede de proximidade da vítima".

 

“Até há cerca de três anos, 80 a 90 por cento das situações chegavam até nós porque a própria vítima fazia referência à sua situação. Neste momento, em cerca de 47% dos casos são as próprias vítimas a procurarem-nos, mas temos um dado surpreendente, que é cerca de 35% das situações já nos chegam através da família, dos conhecidos, dos vizinhos, dos amigos, da rede de proximidade da vítima”, sublinhou Helena Costa, em declarações à Lusa, referindo-se a dados estatísticos de 2013 relativos aos Açores.

Para a coordenadora regional da APAV, “há uma mudança de mentalidade” nos Açores, sendo que as pessoas denunciam cada vez mais casos de violência doméstica apesar de viverem em meios pequenos.

“A sociedade civil está bastante mais alerta para esta situação, denuncia e, quando não o faz, incentiva a vítima a fazê-lo. Acontece muitas vezes as pessoas virem à APAV acompanhadas de pessoas que as motivaram a procurar um apoio para alterar a situação em que vivem”, disse.

Mas o aumento do número de denúncias que partem de outros que não a própria vítima significa também, na ótica de Helena Costa, “uma confiança" nos serviços da APAV nos Açores por parte de quem procurou a associação no passado "e que agora, no presente, encaminham pessoas que conhecem”.

No Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se assinala hoje, a coordenadora regional da APAV lembra que continuam a ser as mulheres as “maiores vítimas de violência doméstica”, apesar de se notar uma diminuição.

“Antigamente, 95% dos casos da APAV eram de violência doméstica e a vítima era mulher. Baixámos um bocadinho, agora 75% dos casos são de violência doméstica e em 80% a vítima é de sexo feminino”, revelou.

Helena Costa reconhece que a APAV continua a estar “muito conotada com a violência conjugal” e que por isso tem apostado na sensibilização de outras vítimas, como “crianças, vítimas de 'bullying', idosos ou vítimas de furtos”.

Este ano já foram ultrapassados os 750 processos registados pela APAV nos Açores a 31 de dezembro de 2013.

No ano passado, 75% desses processos foram referentes a violência doméstica, sendo que “a esmagadora maioria” é de violência conjugal, embora se verifiquem casos de “violência de filhos para com os pais e de pais para com os filhos”.

A responsável pela APAV nos Açores reconhece que de ano para ano sobe o número de processos. Quando a associação iniciou a sua atividade no arquipélago, em 2004, tratou apenas 42 processos de apoio à vítima.

“Eu penso que isso não significa o aumento de casos. O que existe mais por parte das vítimas é uma maior consciencialização dos seus direitos, sabem que são vítimas e quando elas não sabem há alguém por perto que sabe e sabem o que elas podem e devem fazer”, sublinhou.


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