Antissemitismo na Europa aumenta por falta de resposta a ataques


 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Mai de 2015, 19:02

O rabino Abraham Skorka considerou que o antissemitismo na Europa está a aumentar, devido à pouca capacidade de reação efetiva perante certos fatores islâmicos, que procuram derrotar o Estado de Israel.

 

A falta de capacidade de reação da Europa perante os ataques contra os judeus resultou, na opinião de Abraham Skorka, nos atentados de Paris.

"A França só reagiu depois de [o primeiro-ministro israelita Benjamin] Netanyahu ter convidado todos os judeus a irem para Israel (...) não recorreu aos 'media' em cada ataque", declarou o o reitor do seminário rabínico latino-americano de Buenos Aires, à margem das Conferências do Estoril, que decorrem até sexta-feira.

Nunca há uma resposta clara e inequívoca quando se nega a 'shoah' (holocausto), sublinhou.

A construção do Estado de Israel é "um sonho do povo judeu", que começou no início do século XIX. "Não é o resultado do holocausto, é uma resposta à 'shoah'", acrescentou.

O rabino considerou que todo o movimento sionista é uma resposta desenvolvida pelo povo judeu através dos séculos. "Lamentavelmente, o regresso a Sião e a declaração de independência tiveram uma parte conflituosa que não foi resolvida", disse.

"Mas este é um sonho de um povo que se tornou realidade e no momento em que se tornou realidade não existia uma identidade palestiniana (...) depois surgiram conflitos nos quais o Estado de Israel acertou, em alguns casos, e errou em outros, como em tudo o que é humano", afirmou.

"Negar a existência de Israel (...) de um Estado democrático e de Direito, depois de todas as experiências que tivemos na história é negar a existência ao povo judeu (...) que tem uma ligação profunda entre a terra de Israel e o povo judeu. Depois da 'shoah' grande parte da cultura judaica recriou-se em Israel".

Para os judeus, disse, o Estado de Israel e Jerusalém são dramaticamente vitais, declarou.

"A santidade da terra para o mundo do Islão é Meca, para o mundo Católico é Roma, para os judeus o único lugar é Jerusalém", concluiu.

O rabino Skorka participa na sexta-feira no debate "Religião e o Diálogo das Civilizações", com o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e o imã da mesquita central de Lisboa, xeque David Munir.


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