Antigo dirigente sindical diz que greve na SATA em 2013 era "totalmente evitável"

Antigo dirigente sindical diz que greve na SATA em 2013 era "totalmente evitável"

 

Lusa / AO online   Regional   18 de Jul de 2015, 12:30

O anterior presidente do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) afirmou hoje que as greves ocorridas na SATA em 2013 eram "totalmente evitáveis", mas a administração estava "muito limitada" nas negociações por "ingerência" do governo açoriano.

 

“Durante as reuniões percebíamos que a administração executiva da SATA é uma administração completamente limitada por uma ingerência muito própria e profunda do acionista, que é o Governo Regional dos Açores”, afirmou Jaime Prieto, durante a audição na comissão parlamentar de inquérito da SATA criada pelo parlamento açoriano.

Em 2013 ocorreram várias greves na transportadora aérea, algumas das quais reuniram a totalidade dos sindicatos que representam os trabalhadores. Segundo o antigo presidente do conselho de administração da SATA António Gomes de Meneses, as paralisações terão custado à empresa cinco a sete milhões de euros.

A principal reivindicação sindical prendia-se com a aplicação do mesmo acordo firmado entre uma plataforma de sindicatos e a TAP, com vista a evitar cortes salariais entre os 3,5% e os 10% previstos no Orçamento do Estado de 2013.

Jaime Prieto referiu que no desenrolar das negociações - “longas, desgastantes e não conclusivas” – se notou por parte da administração “alguma vontade de contribuir”, mas que depois se percebia a “ingerência externa” do acionista.

“Ninguém diz que o acionista não deve intervir, mas a intervenção não pode é ser constante, variável e procurar depois bodes expiatórios para erros da gestão executiva da empresa”, afirmou o comandante, acrescentando que o acordo realizado já com a atual administração teria sido “sido facilmente lavrado” em 2013.

“A posição do grupo SATA, partilhada até por declarações públicas, tanto do acionista como da administração, evocava sempre o conceito da legalidade e questionável legalidade do acordo encontrado para a TAP para não o aplicarem”, disse Jaime Prieto, acrescentando que os trabalhadores se sentiram “bolas de pingue-pongue dentro de duas opções políticas no mesmo país”.

O antigo responsável disse também que da parte do sindicato houve sempre “flexibilidade e vontade de negociar”, que “ninguém fez pedidos de ordenados exorbitantes” e que “a empresa está mal por uma catadupa de opções não muito organizadas”, como a criação na ilha de Santa Maria do centro de formação aeronáutica.

“O mercado a aviação é extremamente competitivo e a gestão das empresas tem de ser total e inequivocamente autónoma para poderem decidir rapidamente”, disse Jaime Prieto, que presidiu ao SPAC até 12 de novembro de 2014.

Questionado sobre a renovação da frota de longo curso da SATA (a opção tomada pela empresa foi a de ter A330), Jaime Prieto limitou-se a dizer que não tem dados concretos para poder opinar, mas considerou que “uma empresa de aviação tem de ter uma estratégia focada num ‘core’, não tem de ser um instrumento nem de governação, nem de política, nem de interesses do acionista”.

O chegou a ter audição marcada na delegação do parlamento açoriano em Ponta Delgada, mas Jaime Prieto não compareceu, justificando na altura que os pilotos estavam em greve neste dia. Hoje pediu formalmente desculpa aos deputados pelo sucedido.


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