Angela Merkel pede contenção aos membros do seu próprio governo


 

Lusa / AO online   Economia   13 de Jun de 2010, 17:56

A chanceler alemã, Angela Merkel, apelou hoje à contenção financeira dos membros do seu próprio governo, um dia depois de milhares de alemães terem protestados contra as medidas de austeridade impostas pelo governo.

“Só ganhamos a confiança dos cidadãos se contribuirmos para as nossas próprias decisões”, disse a chenceler alemã, citada pela agência de notícias AP.

O governo alemão apresentou segunda feira o maior pacote de austeridade desde o fim da II Guerra Mundial, para reduzir a despesa do Estado em 80 mil milhões de euros até 2014, num pacote que inclui o aumento de impostos e o corte de alguns benefícios sociais.

“Os recentes acontecimentos que envolveram a Grécia e outros países europeus mostraram claramente a importância de termos finanças públicas sólidas”, afirmou então Merkel.

As medidas apresentadas motivaram protestos no próprio partido de Angela Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), com alguns membros a acusarem-na de atingir os mais fracos e a pedir um taxa sobre o rendimentos dos mais ricos, proposta que Merkel rejeitou.

Na coligação governamental, o parceiro liberal FDP apelidou a CDU de “javalis selvagens”, enquanto a União Social Cristã da Baviera, o terceiro membro da coligação, saiu na defesa de Merkel.

”Merkel perde o controlo da coligação”, titula o jornal Sueddeutsche Zeitung na edição do fim-de-semana.

Os problemas no seio da coligação governamental acontecem quando Merkel faz todos os esforços para eleger o seu candidato às eleições presidenciais de 30 de junho, Christian Wulff, o que não parece estar fácil.

A 31 de maio, o presidente alemão Horst Kohler demitiu-se do cargo.

De acordo com uma pesquisa divulgada hoje na Alemanha, 40 por cento dos alemães pensam que a coligação governamental irá sobreviver enquanto 53 por cento acreditam na rutura.

Outra sondagem revelou que 79 por cento dos alemães considera os cortes orçamentais “socialmente injustos”.

Milhares de alemães desfilaram sábado pelas cidades de Berlim e Estugarda a protestar contra as medidas anunciadas.

Em Berlim, as autoridades foram atacadas, de que resultaram 15 polícias feridos.


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