Analistas consideram que a Grécia tem financiamento até ao verão

Analistas consideram que a Grécia tem financiamento até ao verão

 

Lusa/AO online   Economia   16 de Fev de 2015, 17:46

A Grécia pode sobreviver financeiramente até ao verão, mas com liquidez limitada, se não chegar a acordo com os parceiros europeus sobre o programa de assistência que expira a 28 de fevereiro, afirmaram analistas citados pela France Presse.

 

"Tecnicamente, não há problema até ao verão. A tesouraria do Estado pode pagar salários e reformas dado que há receitas fiscais e o orçamento está equilibrado", considerou Jésus Castillo, analista da Natixis, especialista em países como Portugal, Espanha e Grécia.

Em março, a Grécia terá de pagar mais de 4,6 mil milhões de euros de títulos a curto prazo, mas este montante pode ser coberto por "emissões de obrigações idênticas, uma prática muito utilizada pelo Estado grego desde o início da crise", acrescenta o analista.

O financiamento através da emissão de títulos a curto prazo pode também servir para reembolsar o Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,2 mil milhões de euros em março.

"Há reservas para o tempo necessário" para as negociações, afirmou na televisão Skaï o ministro adjunto das Finanças grego, Dimitris Mardas.

"A Grécia precisa, no entanto, de novos empréstimos para o reembolso de obrigações a longo prazo que vencem em julho e em agosto, ou seja, 3,5 mil milhões de euros e 3,2 mil milhões, respetivamente", sublinha Castillo.

Para Panayotis Petrakis, professor de Economia na Universidade de Atenas, "o mês de março pode ser gerido" e a maior preocupação incide "na liquidez dos bancos que é limitada e nas repercussões a longo prazo" em caso de um atraso no entendimento entre Atenas e os países da zona euro.

"Não creio que haja grandes perturbações mas o prolongamento das negociações pode afetar a liquidez dos bancos e objetivos orçamentais como o crescimento", considera Petrakis.

Após seis anos de recessão, a Grécia conseguiu em 2014 um crescimento de 0,8% e em 2015 o orçamento prevê um crescimento mais dinâmico de 2,9%.

"É preciso um acordo de princípio, um acordo político que fixe as bases de negociação até 28 de fevereiro dado que os parceiros europeus não querem ficar na incerteza", afirma Castillo, sem excluir a realização de uma nova reunião do Eurogrupo até ao fim de fevereiro e antes da próxima reunião prevista para 9 de março.

Castillo também não afasta a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE), na sua reunião de 18 de março, aumentar o 'plafond' do montante disponível para empréstimos de emergência aos bancos gregos, que já passou de 60 mil milhões para 65 mil milhões de euros.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.