Analista luso-descendente prevê mau resultado para Democratas


 

AO/Lusa   Internacional   1 de Nov de 2014, 15:47

O analista político luso-descendente Ruy Teixeira acredita que "os Democratas devem perder o controlo do Senado" nas eleições intercalares dos Estados Unidos, na próxima terça-feira.

 

"Há uma série de lugares, que os Democratas conquistaram em circunstâncias extraordinárias em 2008, e que devem regressar agora ao controlo dos Republicanos", previu Teixeira, um dos cientistas políticos mais respeitados dos EUA, em entrevista à agência Lusa.

Nas eleições de dia 04, vão a votos os 435 lugares na Câmara dos Representantes. Esta instituição é, atualmente, controlada pelo partido Republicano e, segundo as últimas sondagens, isso não deve mudar.

Onde deverão existir mudanças é no Senado, uma vez que 33 dos 100 lugares desta instituição serão disputados e os Republicanos devem conseguir o número de vitórias suficiente para recuperar o seu controlo.

Ruy Teixeira acredita que "há um desgaste natural por estas serem as quartas eleições enfrentadas por Barack Obama" e que "apesar de a economia estar a melhorar, muitas pessoas ainda não o sentem no dia a dia, e por isso penalizam o partido do presidente."

Em 2002, o livro "The Emerging Democratic Majority", em que Teixeira e o colega John Judis defendem que os democratas estão condenados a ser uma maioria devido à evolução demográfica do país, foi selecionado pela "The Economist" como um dos livros do ano e tornou-se um ponto de discussão entre comentadores e cientistas políticos a cada eleição.

"Não acredito que estas eleições sejam um teste crucial a esta teoria, por causa da natureza das próprias eleições. Como a participação é 15 a 20 pontos abaixo de uma eleição presidencial, o perfil do eleitor favorece sempre o partido republicano", diz o especialista.

Teixeira acredita que "quando o eleitorado é mais parecido com o país real, como acontecerá em 2016, os democratas têm vantagem."

Com dois anos de mandato, e sem o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, o especialista diz que Barack Obama terá de recorrer às ações executivas para cumprir alguns pontos da sua agenda.

"O presidente vai ficar bloqueado no Senado, mas já estava na Câmara, por isso não há grande diferença. Além disso, os republicanos não vão conseguir cumprir o seu programa, porque todas as leis precisam ser vetadas pelo presidente. O impasse vai continuar", acredita Teixeira.

O especialista diz que questões como a reforma fiscal ou das leis de emigração, por exemplo, "têm pouquíssimas possibilidades de avançar nos próximos dois anos."

Filho de um português de Vale de Cambra, Aveiro, Teixeira é autor de seis livros e centenas de artigos.

Trabalha na "The Century Foundation" e no "Center for American Progress", dois importantes 'think-tank' progressistas em que nascem muitas das políticas do partido do Presidente Barack Obama.



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