Ambientalistas satisfeitos com compromisso nos oceanos, mas é preciso "passar à prática"

Ambientalistas satisfeitos com compromisso nos oceanos, mas é preciso "passar à prática"

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Jun de 2017, 18:31

Os ambientalistas portugueses estão satisfeitos com os compromissos conseguidos na Conferência dos Oceanos da ONU, mas realçam a necessidade de "passar à prática" contra o lixo marinho e em defesa da pesca sustentável e das áreas marinhas protegidas.

O conjunto de compromissos saídos da Conferência dos Oceanos, que terminou na sexta-feira, em Nova Iorque, foi aplaudido pelas associações de defesa do ambiente contactadas pela agência Lusa, considerando tratar-se do reconhecimento político da importância de conservar os recursos e ecossistemas marinhos, e esperam agora que os países, nomeadamente Portugal, concretizem alguns dos pontos listados.

"Foi um sucesso e, apesar das reticências dos Estados Unidos, as questões das alterações climáticas e do Acordo de Paris fazem parte dos documentos finais", referiu o presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável - Zero, apontando, entre os compromissos voluntários apresentados, a evolução relacionada com as áreas marinhas protegidas.

Francisco Ferreira salientou a identificação dos principais problemas - a poluição do mar, principalmente por plásticos, os subsídios à pesca não sustentável - e parcerias que devem ser desenvolvidas para "passar à ação", no que Portugal "tem um papel decisivo em todas as vertentes".

O presidente da Associação de Ciências Marinhas e Cooperação - Sciaena, Gonçalo Carvalho, destacou "o compromisso obtido em quase tudo o que é importante, como a poluição por plásticos, as alterações climáticas, a pesca ou o ordenamento costeiro" e referiu ser muito positivo o consenso conseguido.

"É relevante dar o mote para aquilo que os países têm de fazer, mas também para o papel dos cidadãos", mudando hábitos do quotidiano, como a redução da utilização de sacos de plástico, ou a opção por reutilizar aparelhos elétricos e eletrónicos, evitando a produção de resíduos, defendeu.

Para Ana Marta Paz, da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), "esta é a primeira vez que se juntam tantas entidades, não só especializadas nos oceanos, e criou-se um envolvimento e interesse político relacionado com a conservação marinha", ajudando a reconhecer que o mar é "uma parte muito importante para a vida em sociedade e para a regulação do ambiente".

Salientou os compromissos voluntários de tantas entidades, "num total de mais de mil declarações de compromisso" para as áreas listadas, como a redução da poluição do mar.

Teresa Fonseca, da Quercus, referiu que "foi um bom passo em direção à proteção e conservação dos oceanos", mas "não pode ficar só no papel", nomeadamente na aposta nas áreas marinhas protegidas, para a proteção da biodiversidade.

Os 193 Estados-membros da ONU aprovaram na sexta-feira, no final da Conferência dos Oceanos, um documento político que compromete todos os países a trabalharem para a sustentabilidade dos oceanos, um compromisso negociado pelo embaixador português na ONU, Álvaro Mendonça e Moura.

Entre as medidas propostas, os países prometem "acelerar ações para prevenir e reduzir significativamente a poluição marítima", dedicar "mais recursos à investigação científica marítima" e "implementar estratégias robustas a longo prazo para reduzir o uso de plásticos e microplásticos."

Quanto à pesca, prometem aumentar a pesca sustentável "para restaurar os 'stocks' de peixe no menor espaço de tempo possível", "terminar com praticas de pescas destrutivas e ilegais" e "agir de forma decisiva para proibir certos tipos de pesqueiros e subsídios que contribuem para a sobrepesca e evitar a introdução de novos subsídios".

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