Ambientalistas acusam governo de "branqueamento ecológico"

Ambientalistas acusam governo de "branqueamento ecológico"

 

Lusa/AOonline   Regional   30 de Dez de 2010, 14:12

 A Associação Amigos dos Açores alertou hoje para "um aguçado branqueamento ecológico" na sociedade civil e governantes açorianos que "advogam grandes responsabilidades ambientais e cenários idílicos que não existem nos termos muitas vezes difundidos".

“As temáticas ambientais são abusivamente utilizadas para diversos fins pessoais, comerciais e políticos. O ambiente introduziu-se como uma prioridade, mas essa prioridade é utilizada como uma forma de algum mediatismo, sem contrapartidas para a valorização das nossas riquezas e recursos ambientais”, afirmou o presidente da Associação Ecológica, Diogo Caetano.

“Vendemos sempre uma região de forma idílica que não é tanto assim e acabamos por apostar mais em promoção do que gestão e qualidade ambiental”, sustentou Diogo Caetano, que critica "os gastos" em eventos públicos, "sem contrapartidas para a conservação e qualidade ambiental".

A associação refere-se, por exemplo, ao caso do espetáculo 7 Maravilhas de Portugal, que decorreu na cidade de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, onde "foram gastos milhões de euros a promover um cenário idílico que não existe nos termos muitas vezes difundidos".

"Continuaremos a visitar as Sete Cidades, agora Maravilha de Portugal, onde pululam ruidosas motos em plena área protegida ou onde é utilizado um miradouro que não tem condições para receber devidamente autocarros, com o mesmo ânimo leve como até aqui. Não deveriam os galardões serem instrumentos de reconhecimento, bem como de acrescidas responsabilidades”, questiona. 

Relativamente às questões paisagísticas, os ecologistas denunciam vários casos de "alterações da orla costeira e na paisagem de ilha de S. Miguel" no decurso das obras das SCUT - autoestrada sem custo para o utilizador.

“Para quem apesar de tudo julgar que vivemos numa região em harmonia com a natureza, veja, em 2010, o caso do caminho de acesso à Fajã do Calhau (S.Miguel), que se arrasta há anos sem fim anunciado, as alterações aos areais e linha de costa como nas praias de Água de Alto, em S.Miguel, ou as ribeiras que são caminhos de acesso à obra das SCUT”, refere o documento de balanço do ano de 2010.


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