Alunos de Ponte de Lima aprendem efeitos dos campos eletromagnéticos


 

Lusa/AO online   Nacional   26 de Out de 2015, 17:17

Cerca de 120 alunos do ensino secundário de Ponte de Lima vão participar, na terça-feira, numa aula prática de física para conhecer os efeitos dos campos eletromagnéticos na saúde, disse fonte da organização.

 

De acordo com a fonte da Rede Elétrica Nacional (REN) aquela aula prática surge no "âmbito do projeto MEDEA desenvolvido desde 2008 pela Sociedade Portuguesa de Física, envolvendo alunos, escolas e professores de todo o país, para estudar e comparar os campos elétricos e magnéticos, que nos rodeiam no quotidiano".

Segundo a REN, que apoia o projeto, o objetivo destas sessões "é aprender, divulgar ciência e desmistificar a ideia instituída de que a muito alta tensão é mais prejudicial do que os eletrodomésticos e aparelhos que utilizamos no dia-a-dia".

Em comunicado aquela empresa explicou que a aula prática, que vai envolver os alunos de Física do 11º e 12º anos de escolaridade da Escola Secundária de Ponte de Lima pretende demonstrar que "os campos eletromagnéticos de uma linha de muito alta tensão podem ser da mesma ordem de grandeza dos de uma televisão ligada".

A iniciativa vai contar com a presença da professora do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora no CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico, Maria José Ribeiro Gomes, responsável científica do projeto MEDEA.

O MEDEA promove a medição e conhecimento científico dos campos elétricos e magnéticos de muito baixa frequência (0 a 300 Hz) produzidos por qualquer equipamento ou circuito elétrico, na escola, no seu ambiente doméstico e na vizinhança de linhas de transporte de energia elétrica.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Gemieira, em Ponte de Lima, António Matos, afirmou que esta sessão "pretende atirar areia para os olhos da população".

"Vêm dar rebuçados aos meninos. Vêm dizer que as linhas de muito alta tensão não têm efeitos na saúde. Deviam é pegar nos meninos e levá-los aos locais onde passam as linhas de muito alta tensão e fazer a aula prática nesses locais", disse.

A população daquela aldeia diz ser a mais afetada do concelho de Ponte de Lima com a construção de uma linha elétrica de 400 KV desde Fontefria, em território galego, e até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede elétrica nacional, no âmbito da Rede Nacional de Transporte (RNT) operada pela REN.

António Matos adiantou que o projeto previsto para a freguesia "está parado" e garantiu que "a população está sempre em alerta".

"A qualquer momento podem querer avançar com o projeto e temos que estar preparados para contestar".

Para o autarca comparar os efeitos dos eletromagnéticos dos eletrodomésticos "é uma miniatura", face ao impacto causado "pelas autoestradas das linhas de muito alta tensão".

"Não deviam estar a explicar estas questões aos meninos, mas sim ao povo", sustentou.

A aldeia teme os perigos para a saúde pública da construção da nova ligação que prevê pelo menos cinco torres de 75 metros de altura e uma área de implantação de 200 metros quadrados, além de margens de segurança de 45 metros para cada lado.

Na Gemieira, uma das 121 freguesias potencialmente atravessadas por esta linha (distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto), a população queixa-se da proximidade do traçado proposto a 20 habitações, a um aglomerado de 14 moinhos, uma quinta de turismo rural de relevância internacional, áreas de produção agrícola e uma ecovia.

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