Alunos de Humanidades com notas internas mais baixas que de Ciências

Alunos de Humanidades com notas internas mais baixas que de Ciências

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   21 de Fev de 2017, 16:41

Os alunos de Línguas e Humanidades têm classificações internas mais baixas do que os seus colegas de Ciências e Tecnologias mas, nos exames nacionais, os resultados são iguais, segundo um estudo que compara as classificações internas no ensino secundário.

“O desvio bruto entre os dois grupos foi de cerca de 0,27 valores em 2016”, refere o estudo publicado no ‘site’ da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC), adiantando que o desalinhamento acentuou-se entre 2011 e 2014.

Comparando os alunos do ensino privado com os do ensino público, o estudo dá conta que os dos cursos de Ciências e Tecnologias receberam classificações internas cerca de 0,23 valores mais altas do que os seus colegas de Línguas e Humanidades mas, posteriormente, nos exames os resultados obtidos são os mesmos.

Esta análise dá conta de uma questão recorrente na avaliação dos resultados dos alunos nos exames nacionais do ensino secundário: a suspeita de uma inflação de notas internas de acordo com os cursos ou sistema de ensino (público ou privado).

Em 2014, o Conselho Nacional de Educação alertou, no seu relatório “Estado da Educação 2013”, para a existência de escolas que inflacionam os resultados dos alunos, gerando discrepâncias entre a classificação interna (resultante do trabalho desenvolvido pelo aluno ao longo de todo o ano) e a classificação externa (nota obtida nos exames).

Em 2015 a Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) abriu quatro processos de inquérito, “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar, detetados” em inspeções a escolas, suspeitas de inflacionarem as notas internas dos alunos.

Segundo o relatório hoje divulgado, além destas diferenças entre cursos de humanidades e de ciências há também desalinhamentos significativos entre o subsistema público e o subsistema privado independente, com desvios brutos na ordem dos 0,67 valores em 2016.

São ainda destacadas diferenças entre concelhos. Por exemplo, os valores apresentados mostram que, no concelho do Porto, os alunos receberam classificações internas cerca de 1,44 valores mais altas, em 2014, do que os seus colegas de Lisboa que obtiveram os mesmos resultados nos exames nacionais. O mesmo desvio fixou-se em 1,31 valores no ano de 2016.

No entanto, o estudo salienta que estes desalinhamentos entre concelhos, cursos e subsistemas, não devem ser atribuídos de forma cega e transversal a todos os estabelecimentos de ensino pertencentes a cada grupo, tratando apenas de resultados agregados ou valores médios.

O documento assinala que em Portugal os grandes subsistemas de ensino público e privado estão longe de serem realidades homogéneas e que, dentro de cada subsistema, existem grandes variações em termos das características dos alunos, professores e escolas.

Para a Associação Nacional de Professores, a diferença ligeira entre a nota interna dos alunos de Humanidades e Ciências prende-se com a procura e a oferta dos cursos superiores, existindo assim por parte dos estudantes das áreas científicas uma maior preocupação em obter médias elevadas.

A sociedade, adiantou em declarações à Lusa a presidente da associação, está projetada para o entendimento de que o futuro passa pelas ciências e os alunos sentem essa exigência.

Contudo, e tendo em conta o foco do estudo que aponta, tal como outras análises anteriores, para uma diferença entre a nota interna e a nota em exames de acordo com o subsistema (público ou privado), Paula Carqueja defende que deve ser feito um trabalho conjunto para encontrar nas boas práticas (publicas ou privadas) o melhor modelo de avaliação dos alunos.

“O foco tem de ser o aluno. Considero que se realmente há uma avaliação de que há discrepância porque não nos reunimos e vemos o que cada um faz de melhor pegando nas boas práticas transformando-as numa prática global”, disse adiantando que o foco deve ser sempre o aluno e o seu sucesso.


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