Alterado estatuto do priolo, ave endémica de São Miguel

Alterado estatuto do priolo, ave endémica de São Miguel

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Dez de 2016, 06:35

O Priolo, ave endémica açoriana em perigo, que apenas existe na zona nordeste de São Miguel, Açores, viu o seu estatuto revisto, tendo sido classificado como "vulnerável", "o mais baixo para espécies em risco de extinção", foi hoje anunciado.

Uma nota da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) adianta que foi divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a nova edição da Lista Vermelha mundial, onde estão listadas todas as espécies em perigo no mundo, acrescentando que o Priolo, ave endémica de São Miguel, viu o seu estatuto revisto favoravelmente, tendo sido classificado como “Vulnerável, numa altura em que a maioria das espécies se encontra cada vez mais ameaçada”.

A SPEA, indica na sua página na internet, que "esta melhoria, resultante de um intenso trabalho de conservação desenvolvido pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Governo dos Açores e mais parceiros há mais de 14 anos, não significa que o priolo esteja fora de perigo", defendendo que "é necessário muito trabalho para garantir a sobrevivência desta espécie única dos Açores".

De acordo com a SPEA, trata-se da "segunda revisão em uma década do estatuto desta ave endémica", pois em 2010 - Ano Internacional para a Biodiversidade – esta ave passou de “Criticamente em Perigo de Extinção”, para “Em Perigo de Extinção”.

"O Priolo é, assim, um dos poucos exemplos de recuperação, a nível europeu, sendo que lamentavelmente a maioria das espécies que viram o seu estatuto alterado foi para uma situação mais critica", salienta a SPEA, que já realizou três edições do Atlas do Priolo, em 2008, 2012 e 2016, um projeto que permitiu revelar "uma estabilização da população", atualmente estimada em mais de 1.000 indivíduos.

Os avanços conseguidos nos últimos anos permitiram “um pequeno aumento” da população, resultante dos projetos LIFE + Terras do Priolo que têm levado a cabo medidas de gestão e restauração da floresta laurissilva, habitat do priolo.

O atual LIFE+ Terras do Priolo termina em 2018.

Segundo a SPEA, "os vários projetos LIFE que têm sido desenvolvidos na área de distribuição do Priolo permitiram recuperar, através do controlo de espécies de plantas invasoras, cerca de 370 hectares de floresta nativa – Laurissilva dos Açores - em zonas prioritárias para o Priolo integradas na rede europeia Natura 2000 e também do Parque Natural de Ilha de São Miguel".

"Ainda assim, as restantes áreas de Laurissilva circundantes (cerca de 1000ha) apresentam, de ano para ano, níveis cada vez maiores de degradação e invasão de espécies exóticas como a conteira e o incenso, entre outras. Mesmo as zonas já recuperadas necessitam de manutenção devido à ameaça constante de reinvasão das espécies exóticas que continuam a surgir e podem reverter o trabalho realizado", acrescenta.

Para dia 13 de dezembro está agendada a realização do III Fórum de Renovação da Carta Europeia de Turismo Sustentável nas Terras do Priolo, que vai decorrer nas Furnas, onde será discutido e aprovado o plano de ação nas terras do priolo para o período de 2017 a 2021.

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