Alterações climáticas juntam 194 países em reunião de que se espera pouco

Alterações climáticas juntam 194 países em reunião de que se espera pouco

 

Lusa/AO online   Internacional   23 de Nov de 2012, 10:38

Um mês depois de o furacão Sandy ter reacendido o debate sobre as alterações climáticas e a um mês do fim da vigência do Protocolo de Quioto, representantes de 194 países vão reunir-se para procurar consensos sobre o tema.

A 18.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas decorre entre segunda-feira e 7 de dezembro na capital do Qatar, Doha, e em cima da mesa está não só o prolongamento do Protocolo de Quioto, mas também negociações para um novo pacto sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que deverá substituí-lo e alargá-lo aos países em vias de desenvolvimento.

Nas últimas semanas, as Nações Unidas e organizações internacionais como o Banco Mundial, associações ambientalistas e cientistas exerceram pressão sobre os participantes na reunião de Doha para que sejam alcançados consensos.

Na quarta-feira, a agência da ONU para o Ambiente alertou os governos para o facto de os esforços para combater as alterações climáticas estão cada vez mais longe do objetivo de limitar o aquecimento global a mais dois graus celsius e que a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera aumentou 20% desde 2000.

Um estudo do Banco Mundial divulgado no fim de semana avisara que a temperatura global poderá subir quatro graus celsius até ao final do século se falharem as tentativas de combater as alterações climáticas, provocando vagas de calor, a subida do nível do mar e quebra da produção de alimentos.

E já em finais de outubro cientistas reunidos em Lima, Peru, advertiram que tempestades como a que se abateu sobre a costa leste dos EUA - que deixou 40 mortos e um rasto de destruição - são sinais das alterações climáticas e só irão piorar.

No entanto, embora a pressão seja grande, as expectativas são baixas.

Na reunião do ano passado, na África do Sul, os países participantes decidiram estabelecer o prazo de 2015 para a elaboração de um novo acordo, que deverá entrar em vigor em 2020. Até lá, apenas a União Europeia e alguns pequenos países desenvolvidos terão objetivos definidos sob o prolongamento do Protocolo de Quioto.

As negociações para o estabelecimento de compromissos no âmbito de um Quioto 2 estão minadas por divergências entre países industrializados e em vias de desenvolvimento, para além da grande lacuna de o protocolo não abranger os três maiores emissores de gases com efeito de estufa - os EUA nunca o ratificaram enquanto a China e a Índia não são abrangidos pelas metas obrigatórias.

Na opinião de Tasneem Essop, chefe da delegação da organização ambientalista WWF à reunião de Doha, “o bloqueio atual deve-se à falta de confiança".

"Os países desenvolvidos fizeram compromissos - mesmo que em níveis reduzidos - e alguns não cumpriram. Ao mesmo tempo, os países em desenvolvimento estão a ser pressionados para tomar medidas, mas sem o apoio financeiro necessário para as implementarem. O esforço global tem de ser justo e partilhado", diz o responsável.

Ruth Davies, da Greenpeace, espera que com o aumento do número de pessoas afetadas pelas alterações climáticas as políticas tendam a mudar.

“Cada vez mais pessoas estão a ser sujeitas aos impactos das mudanças climáticas. E é muito importante que os governos que estarão em Doha reconheçam isso para que tenham uma ideia da urgência", disse Davies em entrevista à Voz da América.

Para já, os peritos esperam pouco de mais uma reunião da ONU, que curiosamente decorrerá num país produtor de petróleo e gás e o maior emissor de dióxido de carbono per capita.

O máximo esperado é que seja renovado o compromisso de alcançar um acordo em 2015, com padrões ambientais a entrar em vigor cinco anos depois.

Mas, como diz Essop, se as expectativas são baixas, "é altura de se provar que estavam erradas".


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