Alheira de Mirandela afetada por polémica com botulismo


 

Lusa/AO Online   Economia   28 de Set de 2015, 17:22

Encomendas de várias toneladas da conhecida alheira de Mirandela foram hoje canceladas e choveram telefonemas de clientes junto dos produtores que reclamam medidas urgentes para dissociar os produtos regionais da marca ligada a casos de botulismo.

Os maiores produtores dos famosos enchidos, que movimentam 30 milhões de euros por ano só no concelho de Mirandela, reuniram-se de urgência com a Associação Comercial de Mirandela, que divulgará mais tarde um comunicado sobre as consequências e a pedir a intervenção das autoridades.

O problema é que “as pessoas estão a associar a marca” Origem Transmontana da distribuidora dos produtos, nomeadamente alheiras, a que as autoridades atribuem a contaminação de três casos de botulismo “a todos os produtos com origem na região”, afirmou à Lusa Sónia Carvalho, da empresa “Alheiras Angelina”.

Desde o início da manhã de hoje que os telefones não param de tocar com pedidos de esclarecimentos nesta que é das maiores produtoras de alheiras de Mirandela e que viu “bloqueadas encomendas de algumas cadeias/grupos” equivalentes a entre seis a oito toneladas, a produção de uma semana.

Sónia Carvalho disse à Lusa que amanhã (terça-feira) a empresa não vai trabalhar e descreveu a situação como “muito grave”.

O problema – considerou - “é que as pessoas não leem comunicados, leem as manchetes” dos jornais e associam o nome de uma marca de distribuição a todo território de Trás-os-Montes e a todos os produtos.

A Direção Geral de Saúde emitiu, no sábado, um comunicado a informar que as autoridades de saúde registaram este mês três casos de botulismo alimentar e, após investigação, decidiram retirar de imediato do mercado os produtos à base de carne, concretamente alheiras, e os queijos da marca "Origem Transmontana”, foi hoje divulgado.

A notícia teve repercussão imediata na conhecida Alheira de Mirandela porque “quando se fala de alheira, associa-se de imediata à de Mirandela”, como observaram à Lusa alguns produtores.

Rui Cepeda, da Euro fumeiro, reclama que é necessário alguém ajudar as pessoas a fazer “a distinção entre as duas situações e a acabar com a confusão que está a ser criada entre a marca e os produtos da região” transmontana.

O produtor lembra que a Alheira de Mirandela é certificada e sujeita a um processo de controlo da qualidade com análises periódicas.

Outro produtor certificado, Pedro Caldeira, contou à Lusa que ainda não teve prejuízos com a polémica, mas partilha as preocupações e iniciativas, preconizando ser necessário “informar as pessoas que uma marca não pode por em causa uma região”.

A Lusa contactou o responsável da marca comercial envolvida na polémica do botulismo que não quis prestar declarações, adiantando, porém, que tem “estado em contacto permanente com as autoridades, a colaborar em tudo, e com clientes e produtores/fornecedores”.

A empresa em causa foi criada para comercializar "o que de melhor se produz na região", desde fumeiro, compotas, queijos, comprados a produtores ou de produção própria e vendidos com a marca "Origem Transmontana".



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