Algoritmo ajuda polícia de Chicago a saber quem vai matar ou ser morto


 

Lusa/AO online   Internacional   27 de Mai de 2016, 18:35

Um algoritmo, único no género, está a ajudar a polícia da cidade norte-americana de Chicago a combater a violência armada atribuindo pontuações aos habitantes com maior risco de envolvimento num tiroteio, quer como vítimas, quer como atacantes.

 

A fórmula tem em conta diferentes fatores, como o cadastro criminal, a pertença a um gangue, eventuais ferimentos de bala já sofridos ou o número de detenções.

A natureza exata dos critérios e a sua importância e ponderação são secretos e alvo de polémica.

Contactado pela agência de notícias francesa AFP, o principal inventor do algoritmo, Miles Wernick, do Instituto de Tecnologia do estado do Illinois, não respondeu.

O resultado das combinações informáticas toma a forma de uma base de dados batizada “Strategic Subject List” (“Lista de Indivíduos Estratégicos”) e pretende reduzir os incidentes sangrentos numa metrópole manchada pelos ajustes de contas.

Os críticos do sistema acusam-no de desprezar as liberdades públicas ao estigmatizar alguns cidadãos pela “presumível tendência para a violência”.

A polícia, por sua vez, justifica este instrumento garantindo que permite concentrar esforços nas pessoas potencialmente perigosas, que são também muitas vezes as que correm maior risco de morte.

“Chicago é, das grandes cidades norte-americanas, aquela que está mais dividida no plano racial e aquela que tem o mais grave e o mais duradouro problema com gangues”, sublinhou David Kennedy, da Universidade John Jay de Justiça Criminal, em Nova Iorque.

Desde o início de 2016, as armas de fogo já fizeram cerca de 250 mortos e 1.150 feridos em Chicago. A grande maioria das vítimas figurava na lista definida pelo algoritmo.

“Lidamos com muita violência em Chicago, mas sabemos também que ela é protagonizada por um pequeno segmento da população”, declarou recentemente Eddie Johnson, o novo chefe da polícia da metrópole de 2,7 milhões de habitantes.

Nomeado no fim de março, Johnson, negro, quer melhorar a imagem das forças de segurança depois do homicídio de um adolescente negro desarmado por um polícia branco.

A polícia de Chicago lançou na semana passada uma operação antidroga e anti-armamento que resultou na detenção de 140 suspeitos. Mais de 80% deles encontravam-se na lista gerada pelo algoritmo.

“A polícia norte-americana utiliza há muito tempo a tecnologia informática e a análise de dados para concentrar os seus recursos nas zonas de delinquência. É, além disso, globalmente bastante eficaz para reduzir a criminalidade”, disse Robert Weisberg, professor de Direito na Universidade de Stanford.

Mas em Chicago, prosseguiu, “ultrapassou-se mais uma etapa, ao listar indivíduos”.

O algoritmo, regularmente atualizado desde o seu lançamento há três anos, é nomeadamente utilizado para realizar visitas a casa de alguns indivíduos desfavoravelmente classificados.

Essas visitas efetuadas por polícias ou assistentes sociais servem para propor ajudas de reinserção social ou fornecer informações preventivas.

Estudos mostraram que em muitos casos os delinquentes desconheciam completamente as penas em que incorriam por determinadas infrações à lei.

Por exemplo, em Chicago, um fugitivo da justiça que saia à rua com um simples carregador de pistola no bolso é automaticamente condenado a 15 anos de prisão.


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