África precisa de cinco milhões de novos empregos por ano


 

Lusa/AO online   Internacional   4 de Mar de 2016, 17:47

O continente africano terá que criar cinco milhões de empregos por ano para conseguir acompanhar o crescimento da mão-de-obra, numa região onde metade da população tem menos de 25 anos, defendeu o diretor regional da OIT.

 

"Gerar empregos decentes para os jovens é um dos desafios mais urgentes no continente africano. Metade da população tem atualmente menos de 25 anos de idade", disse Aeneas Chuma.

O subdiretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e diretor regional da organização das Nações Unidas para África falava hoje durante a sessão da abertura da assembleia geral da Federação das Organizações Patronais da África Ocidental, que decorre na cidade da Praia.

"De 2015 a 2030, haverá necessidade de criar 5 milhões de novos empregos por ano somente para acompanhar o crescimento da mão-de-obra", adiantou Aeneas Chuma.

O diretor regional da OIT defendeu, por isso, a tomada de "medidas ousadas" nos próximos anos para que "a explosão demográfica dos jovens" não seja "receita para a instabilidade social e política na região".

Aeneas Chuma considerou que o empreendedorismo jovem pode ser uma saída, mas assinalou que este "é baixo" e que subsistem dificuldades como a falta de acesso a financiamento "em condições razoáveis" e as barreiras administrativas.

Sustentou também a necessidade de "fortalecer uma base de empreendedores locais" para impulsionar "o crescimento de um modo sustentável e inclusivo".

No mesmo sentido, o presidente da Federação das Associações Empregadoras da África Ocidental (FOPAO), Jean Kacou Diagou, defendeu a necessidade de introduzir na educação dos jovens a promoção do empreendedorismo.

"É uma necessidade vital para que os jovens possam ter vontade de criar e de ousar empreender" disse Jean Kacou Diagou.

O responsável da FAPAO alertou ainda que o desemprego jovem está a ser usado por grupos terroristas como o Boko Haram "para outros fins", sublinhando a necessidade de medidas que promovam o desenvolvimento e a criação de emprego.

Também presente na cerimónia, o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, disse que muitos dos Estados africanos vivem ainda em condições de grande "fragilidade, pobreza e exclusão social" e com "grandes ineficiências" de funcionamento em várias áreas, o que cria "verdadeiras bombas-relógio".

"São situações que têm que ser consideradas hoje para que não venhamos a ter mais problemas no futuro", disse, considerando que os maiores desafios do continente estão relacionados com a construção de estados capazes de criar dinâmicas de crescimento e desenvolvimento.

A assembleia geral da FAPAO reuniu-se na quinta-feira e hoje representantes do patronado 16 países oeste-africanos na cidade da Praia.

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