Afeganistão: Capelão militar quer ser "referência e ombro amigo"


 

lusa   Nacional   16 de Fev de 2010, 15:13

O capelão militar Guilherme Peixoto, pároco de Amorim e Laúndos, arciprestado de Póvoa de Varzim/Vila do Conde, vai partir para o Afeganistão, onde quer ser "referência e ombro amigo para todos os militares e não apenas para os católicos".

Integrado na Força de Reacção Rápida de 162 militares composta pela 2ª Companhia de Comandos e Módulo de Apoio, aos quais se juntam uma equipa de Operações Especiais de Lamego e um grupo de militares da Força Aérea, vai cumprir uma missão de apoio à paz nos próximos seis meses.

O sacerdote assume a importância deste episódio no contexto da sua vocação sacerdotal, considerando-o como "marco importante" para o seu futuro como homem e como presbítero da Igreja.

Em declarações à Lusa, o padre Guilherme Peixoto, natural de Guimarães e capelão da Escola Prática dos Serviços e da Escola Prática de Transmissões, diz que leva "tudo preparado" para assinalar e celebrar as principais datas religiosas.

"Cálice, hóstias, livros, paramentos... Está tudo pronto para garantir a celebração das principais festas e períodos religiosos significativos tais como a Semana Santa ou até mesmo uma Visita Pascal pelo aquartelamento da força caso haja possibilidade para o fazer", revelou.

Contudo, a sua missão diária não se restringe a assegurar o culto religioso: "Fui convidado para ser o fotógrafo da missão portuguesa, isto depois do Tenente Coronel Ulisses Alves, comandante da Força, se aperceber do meu gosto e até algum jeito para a fotografia", salientou.

Acrescentou que irá também colaborar na criação de uma espécie de diário da missão, que reunirá textos mas, principalmente, fotografias.

Com ele leva também "centenas de livros" para formar uma pequena biblioteca para que a cultura esteja sempre presente.

Como, apesar de tudo, a força de Comandos vai actuar num cenário de guerra e violência, cabe-lhe zelar pela manutenção de uma moral alta: "Não se pense que os militares precisam apenas de apoio só pelos problemas e situações que enfrentam no teatro de operações", refere.

Salienta que "com a facilidade das comunicações muitas vezes os militares são confrontados com problemas familiares e, como estão longe e nada podem fazer, sofrem muito mais".

Por isso, a missão do capelão continua a ser valorizada pelos militares e é tão importante para a Igreja: "Somos a linha da frente de uma Igreja que quer permanecer junto daqueles que mais sofrem, e de todos os que, no cumprimento do dever, amam e dão a vida pela pátria. Aqueles que por estarem longe tantas vezes ficam esquecidos", acentuou.

Em sua opinião, "esta é uma das mais nobres missões do Ordinariato Castrense e aquela que lhe confere um sentido missionário único, estando onde os militares mais precisam do capelão", assinala.

A preparação mental e/ou psicológica para esta missão, refere, foi feita ao longo dos oito anos em que tem sido capelão", já que - sublinha - "não se pense que esta preparação se faz em dois ou três meses".

Para muitos, "morrer pela pátria é algo sem sentido", mas, para o padre Guilherme, a vida militar revelou-se "uma experiência de uma beleza enorme".

Em sua opinião, "a superação pessoal através do treino físico e psicológico, é uma escola que fica para toda a vida, e nos dias de hoje assume uma importância vital. Até mesmo a organização de uma unidade militar, devidamente estudada, é um exemplo de gestão a todos os níveis".

Talvez isso, "pela mística, espírito de corpo, sacrifício, enorme generosidade e camaradagem" escolheu ir com a 2ª Companhia de Comandos, pois sente que "pode ser útil para a sua missão, do mesmo modo que pode também aprender muito".


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