Adubos de Portugal será inspecionada para averiguar eventual crime ambiental

 Adubos de Portugal será inspecionada para averiguar eventual crime ambiental

 

Lusa/AO Online   Nacional   11 de Nov de 2014, 12:39

O ministro do Ambiente anunciou hoje uma ação inspetiva extraordinária à empresa Adubos de Portugal, em Vila Franca de Xira, para averiguar um eventual crime ambiental.

Segundo Jorge Moreira da Silva, a ação inspetiva vai decorrer "nas próximas horas" e será para averiguar “eventual crime ambiental por libertação de microrganismos para o meio ambiente”.

“Foi hoje decidido de manhã desencadear uma ação inspetiva extraordinária relativamente à empresa Adubos de Portugal. Essa ação inspetiva vai ocorrer nas próximas horas, para averiguação de eventual crime ambiental por libertação de microrganismos no meio ambiente”, afirmou o governante, em Leiria, sublinhando, contudo, não ser de “descartar definitivamente outras hipóteses”.

O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia advertiu que se está “perante amostras e análises que estão ainda em cultura”, pelo que “os resultados definitivos ainda demorarão algumas horas”.

“Mas tendo em atenção as análises que foram feitas, tanto no sábado, como novamente no domingo, consideramos que um grau de probabilidade mais elevado está associado às torres de refrigeração e, no âmbito das torres de refrigeração, concretamente em relação a esta empresa”, explicou Jorge Moreira da Silva.

O governante sublinhou ainda que “o foco está controlado desde o momento em que se decidiu no terreno que as torres de refrigeração, mesmo sem análises comprovativas que apontassem para a presença de legionella”, fossem encerradas no domingo.

Questionado se a empresa tinha efetuado limpeza de equipamentos, Moreira da Silva respondeu que tem “informação suficiente neste momento”, quer sobre as análises, “quer no que diz respeito à ausência de cuidados relacionados com manutenção”, para considerar que se deve de imediato avançar” com a inspeção extraordinária à Adubos de Portugal.

O ministro referiu que, apesar desta inspeção extraordinária, não se está a “afastar a averiguação” a torres de refrigeração de outras empresas, pois, insistiu, nesta fase não se pode “descartar definitivamente todas as possibilidades”.

De acordo com Jorge Moreira da Silva, as torres de refrigeração encerradas no sábado só serão reabertas depois de análises que assegurem a ausência da legionella e de “um conjunto de ações preventivas”.

“A legislação ambiental é muito clara, [as empresas] têm obrigações precisas sobre aquilo que tem de ser feito, mas, por outro lado, nós estamos perante aquilo que não é uma mera verificação de legislação”, observou, admitindo que se possa estar “perante um crime ambiental que é muito mais que uma mera contraordenação ou do mero incumprimento das melhores técnicas disponíveis”.

A ação extraordinária vai ser desencadeada pela Inspeção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território.

A legionella, que provoca pneumonias graves e pode ser mortal, foi detetada na sexta-feira no concelho de Vila Franca de Xira, tendo provocado a infeção em mais de 230 pessoas e a morte de cinco.

Todos os casos, de acordo com a Direção-geral da Saúde, "têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira".

A doença do legionário transmite-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

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