Administradora da SATA "nega papel ativo" do Governo dos Açores nas negociações em 2013

Administradora da SATA "nega papel ativo" do Governo dos Açores nas negociações em 2013

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Jul de 2015, 07:36

A administradora da SATA, Isabel Barata, afirmou hoje que o Governo dos Açores "não teve nenhum papel ativo no encontrar da solução" com os sindicatos em 2013, apesar de o acionista ter sido informado do desenrolar do processo negocial.

“O acionista não teve nenhum papel ativo no encontrar da solução. Foi a SATA que negociou com os sindicatos”, afirmou Isabel Barata, ouvida hoje pelos deputados que compõem a comissão parlamentar de inquérito ao Grupo SATA.

A vogal executiva do Conselho de Administração da SATA, com o pelouro dos recursos humanos, na empresa desde 2010, referiu desconhecer “qualquer interferência do acionista” no processo negocial com os sindicatos, ocorrido em 2013, dado que “a tutela não estava presente nas reuniões”, mas “esteve de acordo com a solução final encontrada”.

Em 2013 ocorreram várias greves na transportadora aérea, algumas das quais reuniram a totalidade dos sindicatos que representam os trabalhadores, sendo que a principal reivindicação sindical se prendia com a aplicação na SATA do mesmo acordo firmado entre uma plataforma de sindicatos e a TAP, com vista a evitar cortes salariais entre os 3,5% e os 10%, previstos no Orçamento do Estado de 2013.

“Em 2011 e 2012, a SATA criou um regime de exceção que permitiu manter a paz social. Em 2013, a Lei do Orçamento do Estado não previu qualquer regime de exceção aos cortes salariais, o que nos criou um problema. Houve várias reuniões com a plataforma de sindicatos, mas a proposta por eles apresentada motivou-nos as maiores dúvidas, pelo que pedimos apreciação [jurídica] a nível interno e externo, para saber se seria legal”, afirmou a administradora.

Isabel Barata, antiga diretora regional do Turismo, disse que a SATA partilhou com a tutela o acordo entre sindicatos e TAP, e “deu conhecimento que ia enviar uma carta” à secretária de Estado do Tesouro, atual ministra das Finanças, a questionar se a SATA poderia aplicar o mesmo acordo, “iniciativa apoiada pelo Governo dos Açores”, mas que nunca obteve resposta por parte do Governo da República.

“Enquanto gestores públicos perante os problemas, tentamos arranjar as melhores soluções dentro da legalidade”, referiu a administradora, que foi chamada à comissão parlamentar de inquérito à SATA pelo PPM.

Questionada sobre o custo/benefício da criação do Centro de Formação Aeronáutica, que a SATA instalou na ilha de Santa Maria, com um investimento inicial de 384 mil euros, Isabel Barata referiu que o grande retorno deste equipamento é o fomento de uma "cultura SATA", junto dos colaboradores, e que "o Governo dos Açores não deve nada à companhia aérea".

“O Governo não deve nada à SATA. O investimento foi da SATA”, afirmou a administradora, que, confrontada pelos deputados com declarações do anterior presidente do Governo Regional, quanto à corresponsabilidade das duas entidades neste projeto, acrescentou: “Pode ter sido lapso meu, mas não tenho ideia de que tenha havido cofinanciamento, porque nem tudo o que se passa na SATA é falado comigo”.

Quanto à restruturação dos recursos humanos na SATA, prevista no plano estratégico entre 2015 e 2020, Isabel Barata garantiu que “a empresa não pretende despedir ninguém”, porque a solução para a diminuição de efetivos, que estimou em 20%, passa pela “não renovação de contratos a termo, não substituição de trabalhadores que se reformem, e reafetação de trabalhadores noutros setores da empresa”.

Segundo disse a administradora, a SATA tem poucos mais de 1.200 colaboradores e 150 a 180 contratados, sendo que este é um número variável, devido a períodos de maior sazonalidade.

Além de Isabel Barata, foi ouvido, esta manhã, outro vogal executivo do conselho de administração da SATA, Francisco Gil.

Nesta comissão parlamentar de inquérito, já foram ouvidos o atual presidente do concelho de administração da SATA, Luís Parreirão, assim como dois antigos administradores, nomeadamente António Cansado e António Gomes de Menezes, entre outras pessoas.

Na quinta-feira, os deputados da comissão parlamentar de inquérito vão ouvir o piloto da SATA Internacional Abel Coelho e a representante dos trabalhadores da SATA, no conselho de administração da empresa, Filipa Rosa.

 

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.