Adiamento de novo Acordo Ortográfico no Brasil divide opiniões de professores e alunos

Adiamento de novo Acordo Ortográfico no Brasil divide opiniões de professores e alunos

 

Lusa/AO Online   Internacional   26 de Dez de 2012, 06:13

O adiamento da implantação obrigatória do Novo Acordo Ortográfico no Brasil para 2016, que está a ser analisado pelo Governo brasileiro, divide opiniões de professores de português, coordenadores de escolas e alunos.

As novas regras, que podem ser usadas de forma facultativa desde 2008 e já são aplicadas em livros didáticos e em várias escolas, tornar-se-iam obrigatórias a partir de janeiro de 2013, segundo o texto original.

Senadores da Comissão de Educação acolhem as críticas feitas ao texto por linguistas e acordaram com o Governo a redação de um decreto presidencial que adie a obrigatoriedade das novas regras para janeiro de 2016, um ano após a sua implementação definitiva em Portugal.

No início do mês, o ministro brasileiro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou à Lusa que o adiamento tinha sido recomendado pelo Ministério das Relações Exteriores e estava a ser estudado pela sua tutela. O Governo não voltou a se manifestar sobre o assunto.

Entre educadores de escolas particulares de São Paulo não há consenso sobre o adiamento da implantação do acordo.

Susana Regina Húngaro, coordenadora de português do Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo, afirma que o adiamento não é necessário para os estudantes, que já estão "completamente adaptados".

Segundo a coordenadora, os alunos do ensino secundário tiveram mais dificuldades de adaptação, pois já possuíam as regras antigas mais interiorizadas. Mas agora a todos já é exigido que usem o novo acordo. No Brasil, as principais mudanças manifestam-se no uso do hífen e de acentos.

Professora de educação fundamental para alunos entre 7 e 14 anos há mais de duas décadas, Deise de Oliveira Guiao, também diz que o adiamento não é necessário, e critica a adoção de outras novas regras num futuro próximo.

"O Novo Acordo deixou algumas coisas mais fáceis para os alunos. Se houver uma nova mudança, eles vão se confundir", disse.

Ana Valeria Borotletto, também professora de educação fundamental, há 18 anos, acha que ainda não se deu tempo para as novas regras penetrarem na sociedade e que, apesar de as crianças já seguirem o acordo, os pais precisam de mais tempo para se adaptar.

Alguns adultos, segundo a docente, corrigem mal as lições dadas aos filhos, reforçando as regras antigas, e foi necessária a convocação de uma reunião para pedir que eles esclarecessem dúvidas com os professores.

As opiniões dos alunos também estão divididas. Estudante do primeiro ano do secundário, Gustavo Hipólito, 15 anos, comenta que teve mais dificuldade em se adaptar à mudança dos acentos, e que ainda tem dúvidas na colocação correta do hífen.

"Se tivesse mais um ano sem ser obrigatório, daria tempo de se acostumar melhor", diz à Lusa.

Já Adriana Martins Mariano, 15 anos, também do primeiro ano da educação secundária, fala que as novas regras "complicaram" o uso da língua, mas defende que a mudança se torne definitiva rapidamente, para acabar com as "confusões".

 


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