Açores registam "descida sistemática" do número de deportações

Açores registam "descida sistemática" do número de deportações

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Dez de 2014, 10:47

O Governo dos Açores considerou hoje que a "descida sistemática" do número de deportados dos Estados Unidos da América e Canadá nos últimos anos se deve à consciencialização dos emigrantes para a importância da nacionalização no país de acolhimento.

O diretor açoriano das Comunidades, Paulo Teves, adiantou à agência Lusa que, em 2011, os Açores receberam 63 deportados, em 2012 foram 59, em 2013 desceu para 37 e este ano totalizam, até agora, 22, sendo que 85 a 90% são homens com idades entre os 25 e os 49 anos.

Os maiores fluxos de deportações para os Açores aconteceram em 1999, 2006 e 2008, sobretudo devido à implementação de políticas de imigração "mais restritivas" nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá, onde reside uma grande comunidade emigrante açoriana.

Paulo Teves destacou o “trabalho em rede” desenvolvido nos dois lados do Atlântico, sobretudo a partir de 2011/2012, no sentido de sensibilizar todos os emigrantes para a importância de adquirirem a nacionalidade norte-americana ou canadiana.

“Tendo a nacionalidade, o individuo não é alvo de deportação”, disse o diretor regional das Comunidades, revelando que na origem de muitas deportações continuam a estar crimes relacionados com droga, agressões ou assaltos, entre outros.

O primeiro caso conhecido de deportação de um emigrante açoriano data de 1987, e teve origem no Canadá.

Um estudo do Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, apresentado em 2012, revela que os EUA e o Canadá deportaram para o arquipélago 1.175 emigrantes portugueses nos últimos 25 anos.

Para atenuar o impacto da deportação na vida do próprio e da família, o governante açoriano referiu que a rede montada tem permitido acolher “o melhor possível” quem chega às ilhas, sendo que as autoridades locais recebem com antecedência uma ficha socio-biográfica do deportado, permitindo dar resposta às reais necessidades.

“Nós, com antecedência, com as organizações aqui nos Açores, conseguimos desenhar um plano de integração específico para o cidadão em causa”, disse Paulo Teves, nomeadamente proporcionando aulas de português, apoio psicológico, alojamento para quem não tem uma rede familiar de suporte nas ilhas, entre outras coisas.

Em 2011, o Governo Regional dos Açores lançou o programa LEGAL (Legalization Effort of the Government of the Azores and Logistics), que visa prevenir as deportações dos EUA e Canadá, sensibilizando para a naturalização dos cidadãos das comunidades açorianas residentes nestes países.

Segundo o diretor regional das Comunidades, apesar de nalguns casos as deportações não serem definitivas, muitos optam por permanecer nos Açores passados dez anos, porque refazem as suas vidas nas ilhas.

“Sabe que depois de dez anos também já se criam redes próprias cá. Há muitos cidadãos que criaram família e aquele desejo de regressar não é tão intenso como no primeiro ano quando chegaram”, afirmou Paulo Teves, sem avançar dados concretos de quantos deportados optaram por ficar de vez nos Açores.

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