Açores investem meio milhão de euros por ano em novos "brincos" para bovinos

Açores investem meio milhão de euros por ano em novos "brincos" para bovinos

 

LUSA/AO online   Regional   22 de Ago de 2016, 16:12

O Governo dos Açores vai investir anualmente meio milhão de euros em novos "brincos" para animais bovinos que, além da identificação, vão permitir um melhor controlo sanitário

O anúncio foi hoje feito pelo secretário regional da Agricultura e Ambiente, Luís Neto Viveiros, numa iniciativa que assinalou a colocação dos “brincos”, também designados de marcas auriculares, numa exploração agrícola no concelho da Lagoa, ilha de São Miguel.

“Temos na região 35 mil marcas auriculares para poderem ser aplicadas nos meses que aí vêm, já vêm a caminho mais 20 mil, mas o que é normal é aplicarem-se 90 mil marcas auriculares por ano” no arquipélago, explicou Neto Viveiros, assinalando que este número significa que nascem, aproximadamente, 90 mil bovinos nos Açores.

O governante adiantou que o investimento nesta matéria é da ordem dos 500 mil euros por ano, “para que todos os animais, de todas as explorações agrícolas dos Açores sejam abrangidos por um novo tipo de ‘brincos’".

Segundo o médico veterinário do Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, este novo sistema vai muito mais do que a identificação do animal.

Os brincos “permitem recolher uma amostra de tecido da orelha que, depois, possibilita a extração do ADN desse animal e identificar o ADN viral, o ADN do vírus do BVD, que é a Diarreia Vírica Bovina”, exemplificou Carlos Pinto.

O médico veterinário esclareceu que, na posse desses dados, pode ser criada uma base para “estudos e aperfeiçoamento do melhoramento do leite dos efetivos, ou seja, da melhoria genética”.

O novo sistema de brincos para gado bovino, “muito utilizado nos países nórdicos e ainda com pouca expressão em Portugal continental”, integra o Programa de Controlo da Diarreia Vírica Bovina em explorações pecuárias.

“Acho que é, realmente, um grande avanço que vai contribuir muito para o estatuto sanitário da região e para combatermos a principal doença infeciosa nos bovinos que, neste momento, é a BVD”, explicou Carlos Pinto, assinalando que, “além de diarreia, provoca muitos problemas como a infertilidade, abortos, nados mortos e fragiliza o sistema imunitário”, facilitando, por outro lado, o aparecimento de outras doenças infeciosas.

O secretário regional acrescentou que se inicia, desta forma, uma luta para travar a BVD, depois de a brucelose estar “praticamente erradicada na região”.

“Seis das nossas nove ilhas já são oficialmente indemnes à brucelose e as três que restam, nomeadamente São Miguel, Terceira e São Jorge, estão na fase final para atingirem esse estatuto”, garantiu o governante.

Quanto à tuberculose, outra doença de declaração obrigatória, o executivo açoriano conta erradicá-la da região até 2021.

“Já passámos para uma fase menos exigente em termos de recolha de amostras para identificação da doença (...). Há poucos anos tínhamos de recolher amostras na totalidade dos animais, agora estamos entre os 22% e os 33%. Isto significa que, ao longo destes anos, o número de casos positivos foi sempre reduzindo ou é praticamente inexistente”, disse.

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